RECAP: Primeiro Semestre – 2017

Como vocês devem ter percebido, eu escrevi pouco nos últimos meses. Isso não quer dizer que eu não fiz nada no ramo da escrita!!! PELO CONTRÁRIO!!!
Antes de começar, queria lembrar que tá tendo um sorteio de um Box de Anômalos na página da Agência Página 7, a agência literária que cuida da minha carreira. Vocês podem participar aqui.

Enfim, existe um fenômeno esquisito em que as pessoas começam a te chamar para eventos. E às vezes elas te chamam para ajudar a organizar um evento, o que é legal e estressante em partes iguais.

Mas estou me adiantando. Vamos ao que interessa:


  • QUINZE DIAS, DE VITOR MARTINS

“Certamente Quinze Dias é uma leitura que eu recomendarei para quem puder. É um livro leve, gostoso, que carrega também sua carga de crítica, mas que nos encanta acima de tudo por todas as mensagens que passa. Aquelas que fazem com que terminemos a leitura com um sorriso bobo no rosto e com o coração mais aquecido. Se antes já tinha uma certa admiração pelo Vitor, por todo o trabalho que ele tem feito e que vem desenvolvendo pelo booktube, agora o admiro ainda mais, por expandir ainda mais o seu contato com a literatura e pelo ótimo autor que vem se tornando.” ⠀ ➡️ Já viram a resenha de Quinze Dias que saiu lá no Estante? Vem ver e deixar amor nos comentários! Link na bio!

Uma publicação compartilhada por Joi Cardoso (@estantediagonal) em

Claramente não fiz essa obra prima chamada Quinze Dias,  mas o Vitor me pediu para fazer uma blurb pro livro e eu não tinha como recusar. Vocês sabem que contemps não são a minha praia e eu só gosto dos extraordinariamente bons, então LEIAM ESSE LIVRO!! Tem  gente gay e gorda, gente negra, a famosa citação “É BISSEXUAL O NOME”,  boias de flamingo e o Harry Styles. Não tem como dar errado.

Enfim: eu li, fiz a blurb e agora tenho que viver com o fato de que Felipe e sua turma são ficcionais e não meus amigos.
Pelo menos o Vitor é meu amigo, então fico feliz.

  • FEIRA DO LIVRO DE BRASÍLIA

Um belo dia, estava em minha humilde residência quando meu telefone TOCA e é a Cleide, uma das produtoras da Feira, me convidando para ser curadora de uma programação jovem da Feira do Livro de Brasília!! Eu topei sem pensar duas vezes porque MEU DEUS DO CÉU QUE LEGAL!!!

Foi uma experiência interessantíssima e aprendi várias coisas sobre organização, público e governos que não repassam dinheiro. Também peguei uma sinusite de matar.

  • 1ª Flipop

Flipop tá mais pra Flitop (e só tá começando!!) #flipop

Uma publicação compartilhada por Barbara Morais (@barbaraescreve) em

Nos dias 08 e 09 de Julho, exatamente um mês atrás, aconteceu a I Flipop, o Festival de Literatura Pop encabeçado pela Editora Seguinte e com a proposta de unir autores e fãs de YA em um evento um pouco mais intimistas, com mesas e paineis discutindo assuntos pertinentes ao gênero e aos fãs. Participei de uma mesa com Eric Novello e Jim Anotsu sobre criação de mundos e diversidade. Vocês podem ver um trechinho aqui caso não tenham participado do evento.

Foi fantástico ver esse festival finalmente acontecendo, porque acompanho tem uns 4 anos todo o processo dos bastidores para fazê-lo acontecer. E foi maravilhoso.  A gente riu, chorou, reviu amigos e conheceu novas pessoas, tivemos um contato extremamente legal com os leitores e outros escritores. Enfim: foi o suficiente para me sentir renovada por um milhão de anos.

É um formato de evento que amo muito e que faltava aqui no Brasil, sabe, e espero que seja o primeiro de muitos!!

Alguns meses atrás recebi um convite muiiito legal da Árvore de Livros para compor a mesa de jurados do seu primeiro Festival de Curtas. Para quem não conheçe, a Árvore de Livros é uma plataforma virtual de livros que trabalha diretamente com escolas e sempre promove eventos e concursos legais em parceria com elas. Dessa vez, foi um trabalho para levar a experiência de adaptar um livro ou um trecho de livro para mídia audiovisual, com minidesafios e qualificação dos alunos quanto à experiência de fazer cinema. Foi um privilégio fazer parte do Juri e foi complicado demais decidir quem iria vencer! O pessoal é bem talentoso.

Ah, além disso, também dei uma entrevista para eles, que foi super legal de fazer. Eu tô maravilhada demais pelo trabalho deles!!

  • Projeto de Leitura da Trilogia Anômalos

Esse é da virada do primeiro pro segundo semestre: a Pam está fazendo um projeto de Leitura da Trilogia Anômalos! Ela irá discutir todos os três livros no dia 23/08, uma quinta-feira. Se você já leu, não perde essa oportunidade de conversar sobre os três livros com a Pam e um monte de gente.


É isso aí, pessoal. Lembrando que vocês sempre podem ver os próximos eventos em que estarei aqui na lateral do site, no meu twitter ou na minha página do Facebook.

O que vocês fizeram nesse primeiro semestre? O que têm planejado para o próximo? 😀

Tudo depende de como você vê as coisas

Outro dia eu estava fazendo sprints de escrita com o Diego,  que tá escrevendo uma história sobre ESCOLAS DE ELITE! ESPORTES! GAYS! GAYS DO BASQUETE!!!, e nós dois estávamos em uma situação parecida: estávamos retrabalhando uma cena que não estava ruim, mas também não estava boa.

MAS BÁRBARA VOCÊ NÃO DIZ SEMPRE QUE ESCREVE TUDO E SÓ REVISA DEPOIS???????

Ora ora

Então, como regra geral, sim. Mas às vezes a cena em que estou trabalhando parece errada, sabe? Ela até se conecta com o que veio antes, mas o que vem depois fica nebuloso e você perde vontade de escrever ou não sabe como resolver aquele problema a seguir e fica desanimado. Eu chamo isso carinhosamente de “pegar o caminho errado”. Como sei onde a história começa e onde ela termina e alguns “pontos turísticos” que tenho que visitar no meio, se erro um retorno no caminho, já não consigo chegar no meu destino. Então, por isso, às vezes é necessário cortar, adicionar e moldar novamente alguma cena durante a escrita, para deixar ela no prumo certo.

No meu caso, uma personagem fazia algo que ela NUNCA faria e isso afetava todo o desenvolvimento da história à longo prazo. Era uma cena que tinha dois objetivos e eu só consegui fazer um. Com o que fiz ontem, ela preencheu os seus pré-requisitos. No caso do Diego, era só trocar o personagem que fazia a ação chave e, TCHARAN, o negócio caminhou (ou pelo menos foi o que ele me disse)(Diego, se manifeste).

Lá pelas tantas, o Diego me perguntou em quantas palavras estava no manuscrito e eu respondi “Só 47 mil”.

E ele disse “MUITO BEM!!!!”.

Quê?

E eu disse “Parabéns pelo quê? Eu tinha 42 mil em abril.”

“Mas 5 mil palavras são muita coisa!!! Me deixa ser positivo.”

Aí fui dormir pensando nisso. Nos últimos meses, tenho escrito muito pouco por vários motivos, mas 99 deles são falta de ânimo e de vontade. Não vou entrar nesse mérito, mas a Gui, minha agente literária, chegou a me perguntar se eu queria engavetar o livro e começar a trabalhar em outro, mas o problema não é a história. Eu amo essa história e esses personagens e embora eu saiba que na revisão o livro vai ficar bem melhor, estou gostando de como ele está andando. Eu tive muitas inseguranças nesse período (talvez eu detalhe elas depois aqui, talvez não), estou passando por uma crise de vida, etc. E uma das coisas que estava me deixando mais chateada é que esse não é o ritmo em que escrevo histórias, sabe? Não é assim que eu funciono normalmente.

É um ciclo vicioso, sabe: você fica chateado porque não está escrevendo como gostaria, aí você não escreve porque sabe que não vai escrever o quanto gostaria e fica abaixo do que você queria porque deixa de fazer por achar que vai ficar abaixo da meta. A MAIOR MENTIRA É QUE NOSSO CÉREBRO É RACIONAL.

Enfim, até ontem, eu nunca tinha parado para ver por esse lado: cinco mil palavras são muita coisa. Pode ser num período maior do que o que eu queria, mas tem muita história aí. Não avancei como eu queria, mas pelo menos eu avancei, né? Isso é algum tipo de vitória.

Vivo dizendo que escrever é autodescoberta, que o melhor método de escrita é o que melhor de adequa para você, mas nunca parei para pensar que a gente muda, e, óbvio, com ele mudam nossos hábitos e isso se reflete em como você escreve. O contexto no qual escrevi a trilogia anômalos é completamente diferente do meu atual e é óbvio que isso vai se refletir na minha “metodologia” de escrita! Como eu nunca tinha parado para pensar nisso antes?

Eu sempre falo muito do NaNoWriMo aqui, sobre como ele me ajudou a descobrir várias coisas sobre mim e sobre como escrevo, sobre como ele ajuda autores iniciantes e tudo o mais, mas agora chegou a hora de eu olhar o outro lado: talvez ele não ajude tanto assim a longo prazo. Essa estratégia de ter metas diárias de escrita, de sentar todos os dias para escrever, pode criar um estresse e uma pressão além do necessário.No meu caso, eu já tenho diversos estímulos que me pressionam e incentivam a escrever, e talvez essa pressão de metas de palavras seja algo que acabe sendo contraprodutivo, sabe? Talvez seja melhor ter uma meta de “eu vou escrever um pouquinho sempre que der”, devagar e sempre, até chegar no fim.

Veremos.


Disclaimer

Não vou prometer que estamos de volta, mas uma das minhas metas pequenininhas é começar escrevendo mais aqui. Talvez eu devesse usar minha newsletter, falecida, mas eu gosto muito da plataforma de blog, amo o wordpress e irei protegê-lo. Eu sei que pouca gente lê blog hoje em dia, mas tenho certeza que tem gente como eu aí que sente falta disso e como minha lei número um é FAÇA O QUE VC GOSTARIA DE VER/LER, vou continuar aqui.

Além dessa atualização aqui, atualizei o site com uma página de serviços, um calendário de eventos e os essays que publiquei em inglês. Aos poucos estou atualizando as outras partes do site também, fiquem de olho!

Diário de Escrita RELOADED #4

Amigos,

a vida me atropelou novamente, mas não vamos falar disso para eu não ficar mais ansiosa. Nas últimas semanas escrevi muito pouco, mas espero que isso mude agora que as coisas se acalmaram no meu trabalho.
O post de hoje é uma coisa rapidinha, mas que vai me ajudar e vai divertir vocês, eu espero. Eu sou uma pessoa muito musical e só consigo escrever ouvindo música (com letras, não instrumental), então cada projeto meu tem uma playlist de escrita e, uma vez pronto, a playlist final. Starships é particularmente mais musical que Anômalos por motivos que vocês descobrirão uma vez que eu termine o livro e publique, então cada personagem, cada situação, cada coisinha tem a sua própria trilha sonora. Gosto muito de atribuir músicas aos personagens, por menores que sejam, porque acho que conseguem encapsular o sentimento geral do personagem, sabe? SEI LÁ. É meio complicado explicar, o importante é sentir

Por isso esse vai ser um daqueles posts sem vergonha em que mostro pra vocês qual é a música “tema” de cada personagem. Ah, a propósito, como ainda estou escrevendo, alguns desses personagens podem mudar/deixar de existir/morrer. Nem todos são personagens principais, mas não vou dizer quais são pra vocês ficarem “OMG ESSA PESSOA É SECUNDÁRIA OU SÓ APARECE UMA VEZ??? NÃO SEI”, ahaha.

Vamos começar?

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Diário de escrita RELOADED #3

Muito se fala daquele temível inimigo dos escritores, o tal do WRITER’S BLOCK ou BLOQUEIO CRIATIVO ou seja lá como vocês chamam.

Imagens reais dos meus últimos dias

Eu não acredito que aconteça por falta de inspiração (falei sobre isso aqui). Não acredito que a fonte da criatividade, sei lá, tenha secado e você esteja impedido de escrever porque a SUA MUSA TE ABANDONOU. Sou muito analítica e racional em diversas partes do meu processo criativo e uma delas é essa: para mim, se a escrita não flui, é porque tem algo errado na história.

Claro que demorei bastante para entender isso. Quando eu era adolescente, só pulava de história para história inacabada, deixando as coisas pelas metades, sabendo que eu amava os personagens, enredos e mundos que havia escrito, mas incapaz de continuar. Era uma válvula de escape, ir para as minhas outras ideias, uma forma fácil de escapar da história problemática à minha frente. Foi só quando eu determinei que eu IRIA TERMINAR ALGO que comecei a perceber os padrões de fuga, perceber como muitas vezes eu me refugiava em outra história para não ter que desembaraçar o enredo da que eu tinha me proposto a escrever.

Socorro

Vocês já repararam como a maior parte das palavras relacionadas à contar histórias vem de palavras relacionadas à tecido? Enredo. Trama. Teia. Contar uma história é o ato de pegar diversos fios e dar-lhes uma nova forma, é tecer personagem, cenário e acontecimento num tecido que é uma padronagem única. Com os mesmos fios, outra pessoa faria algo completamente diferente. E, como todo trabalho “manual”, às vezes você acha que um fio vai ficar bom num lugar e, depois que faz, descobre que não.

Tem vezes que você só descobre isso quando está no meio do tecido e não entende porque o fio azul acabou antes de todos os outros e você não consegue mais continuar e tem que desfazer tudo e voltar e descobrir onde foi que você fez errado, qual calculo deu errado*?

Histórias são assim, para mim. Quando elas não fluem, é porquê algum fiozinho entrou no lugar errado. É muito mais fácil deixar de lado e ir fazer outra coisa quando isso acontece, porque, olha só o trabalho. É necessário parar, ver a história como você quer que ela seja, a história como você está escrevendo, analisar fio a fio para tentar entender o que está errado. Às vezes foi o material do fio que você escolheu, lá no início. Essas são as mais difíceis de arrumar. Algumas vezes, você só não está “ouvindo” os personagens direito — ou seja, você criou os arquétipos, mas não está dando espaço para eles respirarem nas páginas e a escrita está ficando engessada.

ONDE FUI ME METER???

Como eu sei que tem algo errado? Vai lá, a gente já tá íntimo o suficiente pra você não me achar maluca: os personagens tem “vozes” e dão dicas. É claro que, se a gente tiver uma abordagem científica, é a forma que eu personalizo minha intuição ou meu subconsciente ou seja lá o que for, mas é isso. E como eu fico muito tempo com eles, cada um deles tem um padrão. Tem personagens mais barulhentos e espalhafatosos — é o caso da protagonista de Starships, se o problema é com ela, eu sei na HORA –, outros são mais orgulhosos e me deixam avançar, mas com aquele feeling de “olha, eu não faria isso, mas tudo bem, você que tá escrevendo, né”. E, nesses casos, a gente precisa fazer coisas assim:

E tem aqueles que é o caso mais grave: os que ficam sofrendo calados, no canto deles, porque, bem, já tem tanta gente incomodando, não vou ser mais um, né? Então é muito fácil passar batido por isso. É bem fácil você repassar pela sua história mil vezes tentando descobrir o que está errado e ficar MAS ESTÁ TUDO COMO O PLANEJADO e descobrir que na verdade é um detalhe, de um personagem, que tá prendendo tudo. Como eu disse: mecanismos do cérebro (eu espero) (sério mesmo, espero que seja um mecanismo do meu cérebro).

Aí, gente, pra mim é trabalho braçal mesmo. Mesmo sem querer, tenho que sentar e examinar todos os aspectos da história, da narrativa, do worldbuilding,até descobrir o que está errado. Geralmente, tenho um insight de onde mais ou menos está o problema, mas foi só com a experiência de sentar e enfrentar o problema que descobri como funciono. Tem vezes que é frustrante, mas quando você chega no momento EUREKA!!! é TÃO BOM, EXCELENTE, 10/10. RECOMENDO!!!

*TALVEZ EU ESTEJA FALANDO BESTEIRA AQUI JÁ QUE NUNCA FIZ TECIDOS NA VIDA.
Bonus: Uma lista de coisas que fiz enquanto estava tentando descobrir o que tinha de errado no meu projeto atual
  • Decorei toda a trilha sonora de Moana no original E fiz coreografias;
  • Comecei a ver Voyager e MEU DEUS QUE MARAVILHA VEJAM JÁ TÁ NA NETFLIX;
  • Também comecei a ver The OA, shippem certo;
  • Enchi o meu caderno do projeto de Starships de fichas de personagens, de desenhos de carinhas tristes, de entradas com “não escrevi nada hoje, amanhã deve ser melhor”, de uma ideia nova envolvendo inventores, de cenas em POV do David, fiz aesthetics dos personagens e descobri que sou péssima nisso, enchi um board do pinterest de referências;
  • Fiz uma lista mental de recomendações pro desafio Ler Além, da Revista Pólem, do NUPE e da Valkírias;
  • Não li absolutamente nada.

 

Diário de escrita RELOADED #2

Uma das coisas que aprendi ao longo dos anos é que funciono melhor determinando metas de escrita semanais, num esquema meio nanowrimo fora de época. Para isso funcionar, preciso sentar e fazer um cronograma, determinando quantas palavras mais ou menos o manuscrito precisa ter e dividindo pela quantidade de dias que tenho até o fim do meu prazo para saber qual o ritmo de trabalho preciso adotar.

Metas precisam ser realistas. Você precisa levar em consideração que nem todo dia vai conseguir produzir todas as palavras que determinou, porque as cenas vão empacar. Da mesma forma, em alguns dias, você vai produzir bem mais porque a escrita vai fluir bem. Você precisa de tempo para descansar os neurônios e reagrupar seus pensamentos para entender a sua história. Também tem outro fator, né: o desespero. Quanto mais perto do fim do prazo, maior a sua meta diária porque MEU DEUS DO CÉU O PRAZO VAI ESTOURAR.

Surta

Geralmente, prefiro trabalhar com metas semanais por causa dessa inconstância na escrita. Eu li um livrinho chamado FROM 2K TO 10K IN A DAY, ou algo assim, em que a autora falava sobre como passou a escrever 10 mil palavras por dia e embora eu ache insano escrever 10 mil palavras por dia, alguns mecanismos que ela ensinou me ajudaram a tornar a escrita do livro menos sofrida.

Primeiro, eu nunca sento para escrever sem antes fazer um pequeno brainstorming e uma lista das próximas cenas que preciso escrever. Nem sempre escrevo exatamente elas ou todas elas naquele dia, mas pelo menos me guiam e fazem com que eu organize meus pensamentos e não fique encarando a tela do computador em desespero me sentindo uma merda por não saber o que escrever. Depois, eu uso o método pomodoro. Já falei dele aqui antes, mas quando você já pensou no que vai escrever e tem 30 minutos de atenção total, a escrita flui que é uma beleza.

Eu preciso de todas essas ferramentas porque não sou a pessoa mais disciplinada da terra, sabe. Começo muita coisa que não termino, fico empolgada com as coisas por pouco tempo, etc. E ter alguma forma de controle e que me “cobre” faz com que eu produza e termine de fazer as coisas. Funciona muito bem para mim.

Falando assim, parece que é simples: DETERMINO UM CRONOGRAMA! CUMPRO O CRONOGRAMA! MANUSCRITO PRONTO! COLOCA NA MÁQUINA E COMEÇA NOVAMENTE!

Mas não é bem assim.

Para o projeto que trabalho agora, minha agente literária me deu um novo prazo para eu terminar meu manuscrito, pela terceira vez. Claro que eu consigo!, exclamei para ela, toda animada. Peguei meu novo planner e abri na parte do calendário. No passado, ainda estava na faculdade e usava esse período de férias para escrever. Mesmo no estágio, eu ainda tinha tempo de manhã para avançar a história antes de ir para a labuta — e pensei que, talvez, esse ano, fosse funcionar da mesma maneira e fiz um cronograma bem parecido com o de quando escrevi ARU.

Eu sou meio nova nesse lance de trabalhar 8 horas por dia num trabalho com muita responsabilidade que suga bastante energia do ser humano, sabe. Não ajuda muito eu ser uma pessoa extremamente diurna, que quase não produz à noite e que é introvertida e fica cansada de estar rodeada de muitas pessoas. Então uma meta que, em outro contexto era completamente possível, se tornou um pequeno Everest diário a ser escalado diariamente. O cansaço não é nem físico, é mental. Eu fico o dia inteiro no computador e quando chego em casa, por mais que esteja empolgada e saiba para onde a história vai, só quero sentar no sofá e ver Raising Hope. Eu preciso me readaptar a essa nova rotina e esperei, em um anseio juvenil, que isso acontecesse do dia para a noite, só porque eu decidi que seria assim.

E eu fico me sentindo culpada por não escrever. Parece que não estou me esforçando o suficiente, que não é possível, outras pessoas conseguem, eu também deveria conseguir! Eu tento ser mais gentil comigo mesma, mas é um esforço constante. O Daniel José Older fez um texto que gosto muito, Writing Begins with Forgiveness, em que ele fala sobre como aquele velho conselho de “Escreva todos os dias’ está errado justamente porque as pessoas trabalham, e ficam cansadas, e que a gente precisa se perdoar por isso, mas é difícil pra caramba.

Agora comecei a testar outras estratégias: acordar mais cedo para escrever e escrever na hora do almoço. Os primeiros dias foram falhas críticas, MAS estou confiante que um dos dois deva funcionar, pelo amor de deus. NÃO POSSO ESTOURAR MAIS UM PRAZO!!!!!!!!!!!

Me desejem sorte!

E vocês? Como se organizam? Vocês se organizam? Conseguem cumprir os prazos???

Cês já viram que sou péssima com isso, né.

 

Diário de escrita RELOADED #1

Tem quase um ano que não tem post aqui, mas 2017 promete NOVIDADES!! E a VOLTA TRIUNFAL DE BÁRBARA MORAIS.

Mas antes, vamos conversar um pouco sobre 2016.

2016 foi um ano atípico.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que não escrevi um livro.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que fiquei brincando com ideias e sofrendo, em que tudo o que eu tentava fazer em relação à escrita não ia para frente.

Isso me fez me sentir péssima.

Trabalhei num projeto (o Super secreto, que vocês podem ver nos posts antigos) que não deu certo, que não estava pronto e só me deixou desanimada. Tentei continuar Starships, mas a história batia nas paredes do que eu escrevia e quicava de volta para mim, não tá certo, não tá certo, não é assim. Eu me senti um cachorro correndo atrás do meu próprio rabo, incapaz de parar e incapaz de chegar ao meu objetivo. Tudo que eu comecei, não consegui terminar (além da minha monografia é claro – agora sou oficialmente uma economista, formada, sem o peso da faculdade para me atrapalhar).

E eu não tinha como escrever nada aqui com tudo atado desse jeito. Como eu ia escrever sobre algo que eu estava sentindo sendo que eu nem sabia o que eu estava sentindo? Aí eu virei o Yuri Katsuki, de Yuri!!! On Ice: meu cachorro morreu, eu comi mais do que devia, perdi o Gran Prix, voltei pra casa, gravei um vídeo imitando meu ídolo e ele apareceu aqui dizendo que queria me treinar!!

VKUSNO!!!!!!!!!

Ok, momentos de fangirl esquisita a parte, 2016 teve uma parte boa: como nada ia para frente, eu me movi. Comecei a pensar sobre o que quero como escritora, sobre que tipo de história quero contar, sobre que impacto quero ter no mundo, sobre legado. Por que eu escrevo e para quem eu escrevo? O que significa ser uma mulher escrevendo fantasia e ficção científica no Brasil hoje e o que vou fazer com isso? Como eu quero ser vista quanto autora voltada para o público jovem? O que eu posso fazer para alcançar isso?

Não vou divulgar minhas conclusões aqui porque elas são a trilha sonora que toca no fundo de todos os textos do diário de escrita, mas foi importante ter essa claridade para começar a desatar os nós. Eu já disse várias vezes que não acredito em manuais de escrita, em VOCÊ DEVE FAZER ISSO E ISSO PARA ESCREVER e sim em você testar os métodos até descobrir o que funciona para você, né. O autoconhecimento é importantíssimo para a escrita e, conforme fico mais velha, mais eu descubro que não é só em relação à escrita em si.

Uma vez a Maggie Stiefvater postou que a cada aniversário, ela se torna mais ela mesma. Isso faz cada vez mais sentido para mim e, conforme eu vou me tornando mais eu mesma, minhas histórias vão se tornando mais minhas. Os meus maiores problemas em 2016 foram porque eu estava me forçando a contar histórias que não eram necessariamente minhas. Elas eram interessantes e eu leria, mas elas não eram a BÁRBARA. E isso acabou sendo desgastante demais — e, para mim, se tem algo que a escrita não deve ser, é desgastante. Cansativa, sim, mas emocionalmente desgastante, não.

Eu me entendo um pouquinho melhor agora depois de 2016, minha escrita está fluindo mais, encontrei a minha história dentro de Starships e tudo está sinalizando que 2017 será um ano melhor nesse aspecto. Minha única meta esse ano é pouco ambiciosa: escrever algo todos os dias. Não tenho meta de palavras nem nada, é só escrever alguma coisa. Pode ser um post pra blog. Uma frase de uma história. Um enredo. Sei lá, tenho que escrever, e ponto. Eu tenho que me manter me movendo.

Isso significa, é claro, que o Diário de Escrita está de volta!
(E está aceitando sugestões, é claro)

Bienal do Livro de São Paulo is coming!

Brace yourselves, pois faltam dez dias para a Bienal do Livro de São Paulo! E eu estarei lá praticamente todos os dias, andando pela feira, participando de bate-papos e lançamentos de autores que quero muito conhecer ou reencontrar. Como sempre o meu ponto de encontro será no estande do Grupo Autêntica, que engloba a Gutenberg, editora dos meus livros. Então, não deixe de passar lá para me dar um alô! E a minha data de autógrafos oficial será no dia 2/09, às 18h. Confirme a sua presença no evento do Facebook aqui. Não haverá senhas e você pode levar quantos livros da trilogia Anômalos quiser. Será um prazer encontrar e rever os leitores. Mal posso esperar! \o/

Barbara0209

Alerta de Evento em Brasília!

Oi, gente!!
Dia 02/07 vai ter um evento bem legal aqui em Brasília, onde eu, Dayse Dantas, Iris Figueiredo e Marina Oliveira vamos conversar um pouco sobre literatura voltada para jovens-adultos. Depois, teremos um tempinho para sessão de autógrafos!

Será na Leitura do Conjunto Nacional, a partir das 15h.

Vocês podem saber um pouco mais sobre ele aqui.

Nos vemos lá!

Próxima parada: Bienal do livro de Belo Horizonte

A Bienal do Livro de Minas Gerais começa dia 15 de abril e eu estarei lá!

A sessão de autógrafos oficial é dia 16/04, a partir das 15h, no estande do Grupo Autêntica (H01) – mas você também pode me encontrar por lá no dia 15 e no dia 17.

Vocês podem confirmar a presença de vocês nesse evento do Facebook. Não esqueçam das roupas amarelas!

Diário de Escrita #28

Minha irmã tirou carteira de motorista recentemente e nós estamos nos revezando para treiná-la na direção antes dela pegar o carro sozinha — meus pais fizeram isso comigo oito anos atrás, quando tirei carteira, e agora estamos fazendo o mesmo com ela. Não sei se vocês já tiraram carteira, mas as aulas da auto-escola servem basicamente para te fazer passar na prova. Mas andar no trânsito não é algo fácil, porque tem vários imprevistos e a maior parte das coisas que você precisa fazer vem de confiança, vem de costume, vem de ~sentir~ o motor do carro. Nesses dias, eu me pego repetindo várias vezes para a minha irmã: “O carro é que nem um animalzinho, sabe? Você precisa sentir o motor para saber qual marcha passar, precisa colocar ele dentro da sua noção espacial ou você vai acabar machucando ele e você mesmo”. A melhor maneira de aprender a dirigir é praticando, e depois que você pega o jeito, é que nem andar de bicicleta: você consegue fazer em qualquer situação.

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Durante todo esse processo eu comecei a refletir sobre as semelhanças desse processo com escrever. Você pode ter aulas, dominar a técnica perfeitamente e saber tudo o que precisa fazer para ter uma boa história, mas se você não pratica, se você não vai para a rua, você não pega o jeito. Escrever é prática, e assim como na direção, existem milhões de imprevistos dos quais você se sai melhor se tiver confiança e souber o que está fazendo. A história é como um animalzinho, você precisa sentir o enredo para saber quando mudar a marcha, precisa alinhar ela dentro da sua visão pessoal do que te diverte, do que faz sentido para você.

E, assim como com dirigir, cada pessoa dirige de um jeito, com suas próprias manias. Cada escritor tem um funcionamento diferente, sejam rituais antes de escrever, seja a maneira que escreve. E a melhor maneira de saber qual é a sua mania é testando vários métodos até descobrir qual o que combina com você. Além disso cada carro — cada história — exige que você se acostume com ele para poder dirigí-lo. Alguns tem a embreagem lá em cima, outros são muito acelerados, outros tem o volante muito duro. Você precisa conhecer o carro — e sua história — para poder usá-lo da melhor maneira.

A diferença principal, é claro, é que você pode matar uma pessoa com um carro, enquanto nas histórias apenas pessoas ficcionais sofrem.

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Bem, ultimamente tenho pensado muito nisso, sabe? Na parte técnica, de como as pessoas fazem histórias e as contam, não importa o meio. Em como a maior parte dos autores melhoram ao longo do tempo, e observando as exceções (cof cof – Richelle Mead – cof cof), tentando entender o que me faz gostar de histórias e que tipo de narrativas quero construir a partir de agora, depois da Trilogia Anômalos. O projeto que estou trabalhando também tem me ajudado muito nesse sentido, porque ele é um grande desafio que está me ajudando a crescer como escritora. Não posso falar muito sobre isso, só que quando vocês descobrirem o que é, vão entender, ahaha.

Nas minhas tentativas de arrumar o melhor tom para a história, de conhecer melhor esse carro que decidi comprar e dirigir, percebi algo: meu processo criativo começa pelo enredo ou pelo mundo. A situação e o cenário são fundamentais para que eu possa construir os personagens que vão habitar esse mundo e dar voz ao enredo, com as características que acho interessantes para tornar a história mais dinâmica. É como se saber o cenário ou o que vai acontecer abrisse minha mente para que as pessoas surgissem. Se eu não sinto que a história é consistente ou que o mundo tem alguma falha, não consigo avançar, por mais que os personagens pareçam incríveis e eu goste muito deles.

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Nem todo escritor é assim. A Iris Figueiredo, por exemplo, geralmente começa dos personagens e depois vai criando o enredo e vendo como eles reagem às situações. Alguns escritores começam com uma grande ideia (digamos, uma pessoa que viaja entre dimensões e tem um casaco mágico) e daí desenvolvem todo o resto — outros começam com um mundo, outros com uma hipótese…

Também acho que, para algumas pessoas, esse processo criativo depende muito da história e do gênero em que vão escrever. Com certeza tem gente que transita muito bem entre as maneiras – algumas histórias começam com personagens, algumas com uma ideia de enredo, algumas com o mundo – mas eu descobri que, ao contrário do que eu pensava, não sou uma delas. E como descobri isso?

Tentativa e erro.

Surta

Surta

Confesso que é um método meio frustrante, mas não acho que há uma maneira mais direta de descobrir. Não sei se vou mudar, se é só uma fase, ou se é assim todas as vezes mas, refletindo sobre todas as ideias que tenho aqui, todos os projetos que estão alinhados para serem escritos, nenhum deles começou com personagem.  Por outro lado, isso não significa que não ache personagens importantes — muito pelo contrário, eu acho que eles são a alma e o coração de uma história e precisam ser muito elaborados. Mas é como se eu precisasse do esqueleto antes de vir com os músculos, os órgãos e a pele da história, sabe?

 

E vocês? Já refletiram sobre a origem das suas ideias? De como vocês começam a imaginar uma história?

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