Diário de Escrita #5

1) Da importância do Backup

Esse é mais um dos posts escritos na sexta-feira mesmo. Eu percebi que toda vez que faço o post na quinta, a sexta me revela uma surpresa. Semana passada, foi uma surpresa que me ensinou a importância do Backup. Eu já tinha tido problemas com arquivos corrompidos antes na minha vida, mas nunca desde que comecei a usar meu combo de macbook + libreoffice. Mesmo assim, eu sou super paranoica com isso: escrevo direto no arquivo da dropbox, envio emails com o arquivo periodicamente para mim e para os meus betas, salvo versões diferentes.

Só que com esse livro eu fui, podemos dizer, OTÁRIA. Como no início percebi que eu teria que fazer várias alterações no primeiro rascunho para que a cronologia fizesse sentido, decidi não enviar mais semanalmente para os meus betas. Isso não é um problema per se, porque eles também são pessoas ocupadas que não podem me dar feedbacks semanais e qualquer sugestão que fizessem também só seria considerada quando eu terminasse, então tudo bem. O que eu não me liguei é que essa também é uma forma de backup. Então tá, vamos viajar no tempo para uma semana atrás.

Sentei no computador. Abri o libreoffice. Vi o número de palavras e anotei no meu caderninho. Fiquei confusa, porque tinham mil palavras a menos. Subi o arquivo e percebi com horror que TODO O TEXTO QUE TINHA COMENTÁRIO SUMIU. Os comentários ainda estavam lá, mas o texto tinha desaparecido. O desespero foi imenso, sabe. MIL PALAVRAS, SOLTAS NO TEXTO, EM ÁREAS DIVERSAS!!!!!! Eu conseguiria reescrever um parágrafo, mas tinha coisa faltando que tirava todo o sentido das frases e eu não conseguiria lembrar o que era sem reler TODO o texto. FOI HORRÍVEL. EU QUIS CHORAR.

Eu não quero ser muito dramática, mas hoje foi como 100 dias no inferno e o pior dia da minha vida

Mas aí coloquei minhas habilidades investigativas em ação e descobrir que:

1) o programa que uso para controlar correções enquanto escrevo, o draftcontrol, exibia o texto original. O texto só ficava mutilado quando eu exportava pro Libre Office;

2) Se eu abrisse no editor de texto basicão do Mac eu conseguia recuperar o texto.

Assim, minha sexta-feira foi toda dedicada a corrigir o texto e agora eu estou trabalhando em uma versão, com outra como backup. Além de enviar os textos pros meus betas (falando nisso, preciso enviar o atual), por email. Então aprendam com as pessoas menos inteligentes para não cometerem esse erro nunca mais: FAÇAM BACKUP.

He-Man_e_Gato_Guerreiro

2) Sobre bloqueio criativo

Falta pouco para terminar o livro e, no início dessa semana, eu empaquei. Sabia para onde ir, sabia que eu tinha que me sentar e escrever, mas o que saia quando eu o fazia era estranho, truncado, incerto. Fiz 200 palavras num dia, 400 no outro, apaguei todas elas quando consegui contornar o meu problema.

Agora é a hora que eu digo para vocês que não acredito que bloqueio criativo é falta de inspiração. Não existe esse negócio de inspiração para escrever, pelo menos para mim. Existe a vontade louca de colocar aquela história no papel e a disciplina de o fazer periodicamente, até chegar no final. Um bloqueio normalmente não passa disso: um obstáculo que você tem que transpor. Mas para poder fazer isso, você precisa saber qual é o obstáculo. Você não vai escalar uma montanha com um bote, não é mesmo? Então é isso, o bloqueio é um sinal que você precisa parar e pensar.

Podem haver vários motivos para que ele ocorra. Você pode não estar bem emocionalmente; a sua história pode não estar estruturada o suficiente para você colocar no papel e preencher as lacunas; tem algo faltando em algum lugar, mas você não sabe onde. O importante é você parar e refletir. Escrever também é autoconhecimento, sabe. É necessário entender como funciona o seu processo criativo para não se frustrar. Tem gente que é extremamente ligada ao emocional, que precisa estar numa boa situação da vida para escrever ou numa situação ruim para externar os sentimentos. Tem gente que é mais metódica (tipo eu), e que procura estruturar a história como bloquinhos de lego encaixados um no outro. Mas enfim, o importante aqui é que é preciso parar e rever sua vida para entender o que está te desmotivando.

No meu caso, foram dois fatores. Primeiro, eu entrei em um tipo de negação bizarra porque estou bem perto do fim e, enquanto não vejo a hora de dar o desfecho para a história, não quero abandonar os personagens. Todas as vezes que me perguntam sobre essas trilogias que viram mais livros, eu sempre respondo que o autor sempre tem mais história sobre aqueles personagens, sobre aquele mundo. O autor SEMPRE tem mais a adicionar, mais história, mais detalhes, mais enredo. Isso não necessariamente acrescenta à série original. Eu estou exausta, mas eu me vejo pensando nos …E se… de depois da história. Em resumo:

Mas ao mesmo tempo minha cabeça está borbulhando de outras ideias, outros personagens, outros mundo. Enfim, é uma coisa louca. O segundo fator foi que eu estava numa cena importante, em que muitas coisas aconteciam ao mesmo tempo, e não havia decidido a melhor abordagem. Eu precisei parar, sentar e escrever num papel o que iria acontecer, detalhe por detalhe, até perceber qual ia ser a melhor forma de narrar aquilo sem ser muito confuso para o leitor. Você junta os dois e tem como resultado uma tarde sentada no sofá com a minha irmã recém-operada dos sisos assistindo Easy A e Gravity Falls em vez de escrever.

Eu consegui resolver o problema com rapidez, mas tem vezes que isso dura algum tempo. Não querer escrever, para mim, é sinal de que há algo errado na história, de que eu preciso reavaliar algum ponto de vista, alguma linha de enredo, algo assim. É importante tirar um tempo para descansar e se afastar da história para poder encontrar o problema que te faz não querer chegar perto dela.

Enfim, acho que é isso. Espero que semana que vem o post venha na terça-feira, com um ACABOU, E AGORA? incluindo uma mini-resenha de Kingsman e de Unbeatable Kim Schmidt.

PEACE

3 Comments

  1. Oi, Bell!

    Sobre o lance do backup: Que medo.

    Sobre depois que você terminar a sua história: Nossa, você escreveu uma trilogia! Eu fiquei no maior dilema em decidir qual seria a próxima história que eu queria escrever, a mesma coisa que você, mil ideias novas, mas os personagens antigos são tão legais… Imagino você com esse sentimento triplicado, além da carga de saber que um monte de gente pelo Brasil também gosta deles. Não julgo (muito) mais autor que não desapega (mas geralmente eles estragam a história que já estava fechada ). Você poderia tentar uma coisa nova e voltar quando quiser depois. Vai ter mais ideias ainda se deixar Anômalos descansar 🙂

    • barbaram

      March 6, 2015 at 17:21

      FAÇA BACKUP MENINO.
      FAÇA BACKUP *CRAZY EYES*
      Eu também não tenho problemas, mas às vezes falta discernimento? Não sei, ainda não li uma continuação de série que não decaisse a qualidade :/ (mas Spin-off sim. Spin-off são açucar e tudo o que há de melhor na terra). E, sim, eu já sei até o projeto que vou fazer a seguir, inclusive tenho o início e a voz e ♥♥♥amor verdadeiro♥♥♥ por ele

  2. Fazendo dancinha de cheerleader pra incentivar a Bell a terminar.
    YOU
    CAN DO IT
    YOU YOU CAN DO IT

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