Diário de escrita RELOADED #1

Tem quase um ano que não tem post aqui, mas 2017 promete NOVIDADES!! E a VOLTA TRIUNFAL DE BÁRBARA MORAIS.

Mas antes, vamos conversar um pouco sobre 2016.

2016 foi um ano atípico.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que não escrevi um livro.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que fiquei brincando com ideias e sofrendo, em que tudo o que eu tentava fazer em relação à escrita não ia para frente.

Isso me fez me sentir péssima.

Trabalhei num projeto (o Super secreto, que vocês podem ver nos posts antigos) que não deu certo, que não estava pronto e só me deixou desanimada. Tentei continuar Starships, mas a história batia nas paredes do que eu escrevia e quicava de volta para mim, não tá certo, não tá certo, não é assim. Eu me senti um cachorro correndo atrás do meu próprio rabo, incapaz de parar e incapaz de chegar ao meu objetivo. Tudo que eu comecei, não consegui terminar (além da minha monografia é claro – agora sou oficialmente uma economista, formada, sem o peso da faculdade para me atrapalhar).

E eu não tinha como escrever nada aqui com tudo atado desse jeito. Como eu ia escrever sobre algo que eu estava sentindo sendo que eu nem sabia o que eu estava sentindo? Aí eu virei o Yuri Katsuki, de Yuri!!! On Ice: meu cachorro morreu, eu comi mais do que devia, perdi o Gran Prix, voltei pra casa, gravei um vídeo imitando meu ídolo e ele apareceu aqui dizendo que queria me treinar!!

VKUSNO!!!!!!!!!

Ok, momentos de fangirl esquisita a parte, 2016 teve uma parte boa: como nada ia para frente, eu me movi. Comecei a pensar sobre o que quero como escritora, sobre que tipo de história quero contar, sobre que impacto quero ter no mundo, sobre legado. Por que eu escrevo e para quem eu escrevo? O que significa ser uma mulher escrevendo fantasia e ficção científica no Brasil hoje e o que vou fazer com isso? Como eu quero ser vista quanto autora voltada para o público jovem? O que eu posso fazer para alcançar isso?

Não vou divulgar minhas conclusões aqui porque elas são a trilha sonora que toca no fundo de todos os textos do diário de escrita, mas foi importante ter essa claridade para começar a desatar os nós. Eu já disse várias vezes que não acredito em manuais de escrita, em VOCÊ DEVE FAZER ISSO E ISSO PARA ESCREVER e sim em você testar os métodos até descobrir o que funciona para você, né. O autoconhecimento é importantíssimo para a escrita e, conforme fico mais velha, mais eu descubro que não é só em relação à escrita em si.

Uma vez a Maggie Stiefvater postou que a cada aniversário, ela se torna mais ela mesma. Isso faz cada vez mais sentido para mim e, conforme eu vou me tornando mais eu mesma, minhas histórias vão se tornando mais minhas. Os meus maiores problemas em 2016 foram porque eu estava me forçando a contar histórias que não eram necessariamente minhas. Elas eram interessantes e eu leria, mas elas não eram a BÁRBARA. E isso acabou sendo desgastante demais — e, para mim, se tem algo que a escrita não deve ser, é desgastante. Cansativa, sim, mas emocionalmente desgastante, não.

Eu me entendo um pouquinho melhor agora depois de 2016, minha escrita está fluindo mais, encontrei a minha história dentro de Starships e tudo está sinalizando que 2017 será um ano melhor nesse aspecto. Minha única meta esse ano é pouco ambiciosa: escrever algo todos os dias. Não tenho meta de palavras nem nada, é só escrever alguma coisa. Pode ser um post pra blog. Uma frase de uma história. Um enredo. Sei lá, tenho que escrever, e ponto. Eu tenho que me manter me movendo.

Isso significa, é claro, que o Diário de Escrita está de volta!
(E está aceitando sugestões, é claro)

4 Comments

  1. AAAHHH 2017 tem tudo pra ser incrível sim (até pq agora tem diário de escrita de novo yay)

  2. Gente, houve toda uma convergência do universo comigo, Maggie Stiefvater e esse seu texto. Eu estou EMPACADO com uma história nova também, e seu texto me fez enxergar meu conto inacabado por um outro ângulo. Acho que estou mesmo contando a história errada. Quer dizer, é uma história até legal, mas não sinto que é minha. Daí que acabei de ler A Corrida de Escorpião (ontem) e no final vem uma nota da Maggie contando que enfrentou esse mesmo bloqueio com o livro. Daí ela caçou a história dela dentro daquilo que ela estava escrevendo e virou esse livro maravilhoso (eu amei demais, pelo menos). E vc comentou dela aqui!!! É UM SINAL.

    Feliz que voltou com os diários! Gosto muito dos seus textos 🙂

  3. Dani (chave de cadeia)

    March 19, 2017 at 19:08

    AAAAAAAAAAAAAA meu pedidos foram atendidos!
    Nossa isso foi tão ótimo. Foi tão inspirador no sentido de :VAI ESCREVER!
    Espero que você esteja tendo ótimo resultados com o plano de escrever todos os dias, porque o meu falho no segundo dia do ano…
    estou animada com tudo que está por vir. Deveria ter lido antes, mas estamos aqui.

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