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Diário de Escrita RELOADED #4

Amigos,

a vida me atropelou novamente, mas não vamos falar disso para eu não ficar mais ansiosa. Nas últimas semanas escrevi muito pouco, mas espero que isso mude agora que as coisas se acalmaram no meu trabalho.
O post de hoje é uma coisa rapidinha, mas que vai me ajudar e vai divertir vocês, eu espero. Eu sou uma pessoa muito musical e só consigo escrever ouvindo música (com letras, não instrumental), então cada projeto meu tem uma playlist de escrita e, uma vez pronto, a playlist final. Starships é particularmente mais musical que Anômalos por motivos que vocês descobrirão uma vez que eu termine o livro e publique, então cada personagem, cada situação, cada coisinha tem a sua própria trilha sonora. Gosto muito de atribuir músicas aos personagens, por menores que sejam, porque acho que conseguem encapsular o sentimento geral do personagem, sabe? SEI LÁ. É meio complicado explicar, o importante é sentir

Por isso esse vai ser um daqueles posts sem vergonha em que mostro pra vocês qual é a música “tema” de cada personagem. Ah, a propósito, como ainda estou escrevendo, alguns desses personagens podem mudar/deixar de existir/morrer. Nem todos são personagens principais, mas não vou dizer quais são pra vocês ficarem “OMG ESSA PESSOA É SECUNDÁRIA OU SÓ APARECE UMA VEZ??? NÃO SEI”, ahaha.

Vamos começar?

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Diário de escrita RELOADED #3

Muito se fala daquele temível inimigo dos escritores, o tal do WRITER’S BLOCK ou BLOQUEIO CRIATIVO ou seja lá como vocês chamam.

Imagens reais dos meus últimos dias

Eu não acredito que aconteça por falta de inspiração (falei sobre isso aqui). Não acredito que a fonte da criatividade, sei lá, tenha secado e você esteja impedido de escrever porque a SUA MUSA TE ABANDONOU. Sou muito analítica e racional em diversas partes do meu processo criativo e uma delas é essa: para mim, se a escrita não flui, é porque tem algo errado na história.

Claro que demorei bastante para entender isso. Quando eu era adolescente, só pulava de história para história inacabada, deixando as coisas pelas metades, sabendo que eu amava os personagens, enredos e mundos que havia escrito, mas incapaz de continuar. Era uma válvula de escape, ir para as minhas outras ideias, uma forma fácil de escapar da história problemática à minha frente. Foi só quando eu determinei que eu IRIA TERMINAR ALGO que comecei a perceber os padrões de fuga, perceber como muitas vezes eu me refugiava em outra história para não ter que desembaraçar o enredo da que eu tinha me proposto a escrever.

Socorro

Vocês já repararam como a maior parte das palavras relacionadas à contar histórias vem de palavras relacionadas à tecido? Enredo. Trama. Teia. Contar uma história é o ato de pegar diversos fios e dar-lhes uma nova forma, é tecer personagem, cenário e acontecimento num tecido que é uma padronagem única. Com os mesmos fios, outra pessoa faria algo completamente diferente. E, como todo trabalho “manual”, às vezes você acha que um fio vai ficar bom num lugar e, depois que faz, descobre que não.

Tem vezes que você só descobre isso quando está no meio do tecido e não entende porque o fio azul acabou antes de todos os outros e você não consegue mais continuar e tem que desfazer tudo e voltar e descobrir onde foi que você fez errado, qual calculo deu errado*?

Histórias são assim, para mim. Quando elas não fluem, é porquê algum fiozinho entrou no lugar errado. É muito mais fácil deixar de lado e ir fazer outra coisa quando isso acontece, porque, olha só o trabalho. É necessário parar, ver a história como você quer que ela seja, a história como você está escrevendo, analisar fio a fio para tentar entender o que está errado. Às vezes foi o material do fio que você escolheu, lá no início. Essas são as mais difíceis de arrumar. Algumas vezes, você só não está “ouvindo” os personagens direito — ou seja, você criou os arquétipos, mas não está dando espaço para eles respirarem nas páginas e a escrita está ficando engessada.

ONDE FUI ME METER???

Como eu sei que tem algo errado? Vai lá, a gente já tá íntimo o suficiente pra você não me achar maluca: os personagens tem “vozes” e dão dicas. É claro que, se a gente tiver uma abordagem científica, é a forma que eu personalizo minha intuição ou meu subconsciente ou seja lá o que for, mas é isso. E como eu fico muito tempo com eles, cada um deles tem um padrão. Tem personagens mais barulhentos e espalhafatosos — é o caso da protagonista de Starships, se o problema é com ela, eu sei na HORA –, outros são mais orgulhosos e me deixam avançar, mas com aquele feeling de “olha, eu não faria isso, mas tudo bem, você que tá escrevendo, né”. E, nesses casos, a gente precisa fazer coisas assim:

E tem aqueles que é o caso mais grave: os que ficam sofrendo calados, no canto deles, porque, bem, já tem tanta gente incomodando, não vou ser mais um, né? Então é muito fácil passar batido por isso. É bem fácil você repassar pela sua história mil vezes tentando descobrir o que está errado e ficar MAS ESTÁ TUDO COMO O PLANEJADO e descobrir que na verdade é um detalhe, de um personagem, que tá prendendo tudo. Como eu disse: mecanismos do cérebro (eu espero) (sério mesmo, espero que seja um mecanismo do meu cérebro).

Aí, gente, pra mim é trabalho braçal mesmo. Mesmo sem querer, tenho que sentar e examinar todos os aspectos da história, da narrativa, do worldbuilding,até descobrir o que está errado. Geralmente, tenho um insight de onde mais ou menos está o problema, mas foi só com a experiência de sentar e enfrentar o problema que descobri como funciono. Tem vezes que é frustrante, mas quando você chega no momento EUREKA!!! é TÃO BOM, EXCELENTE, 10/10. RECOMENDO!!!

*TALVEZ EU ESTEJA FALANDO BESTEIRA AQUI JÁ QUE NUNCA FIZ TECIDOS NA VIDA.
Bonus: Uma lista de coisas que fiz enquanto estava tentando descobrir o que tinha de errado no meu projeto atual
  • Decorei toda a trilha sonora de Moana no original E fiz coreografias;
  • Comecei a ver Voyager e MEU DEUS QUE MARAVILHA VEJAM JÁ TÁ NA NETFLIX;
  • Também comecei a ver The OA, shippem certo;
  • Enchi o meu caderno do projeto de Starships de fichas de personagens, de desenhos de carinhas tristes, de entradas com “não escrevi nada hoje, amanhã deve ser melhor”, de uma ideia nova envolvendo inventores, de cenas em POV do David, fiz aesthetics dos personagens e descobri que sou péssima nisso, enchi um board do pinterest de referências;
  • Fiz uma lista mental de recomendações pro desafio Ler Além, da Revista Pólem, do NUPE e da Valkírias;
  • Não li absolutamente nada.

 

Diário de escrita RELOADED #2

Uma das coisas que aprendi ao longo dos anos é que funciono melhor determinando metas de escrita semanais, num esquema meio nanowrimo fora de época. Para isso funcionar, preciso sentar e fazer um cronograma, determinando quantas palavras mais ou menos o manuscrito precisa ter e dividindo pela quantidade de dias que tenho até o fim do meu prazo para saber qual o ritmo de trabalho preciso adotar.

Metas precisam ser realistas. Você precisa levar em consideração que nem todo dia vai conseguir produzir todas as palavras que determinou, porque as cenas vão empacar. Da mesma forma, em alguns dias, você vai produzir bem mais porque a escrita vai fluir bem. Você precisa de tempo para descansar os neurônios e reagrupar seus pensamentos para entender a sua história. Também tem outro fator, né: o desespero. Quanto mais perto do fim do prazo, maior a sua meta diária porque MEU DEUS DO CÉU O PRAZO VAI ESTOURAR.

Surta

Geralmente, prefiro trabalhar com metas semanais por causa dessa inconstância na escrita. Eu li um livrinho chamado FROM 2K TO 10K IN A DAY, ou algo assim, em que a autora falava sobre como passou a escrever 10 mil palavras por dia e embora eu ache insano escrever 10 mil palavras por dia, alguns mecanismos que ela ensinou me ajudaram a tornar a escrita do livro menos sofrida.

Primeiro, eu nunca sento para escrever sem antes fazer um pequeno brainstorming e uma lista das próximas cenas que preciso escrever. Nem sempre escrevo exatamente elas ou todas elas naquele dia, mas pelo menos me guiam e fazem com que eu organize meus pensamentos e não fique encarando a tela do computador em desespero me sentindo uma merda por não saber o que escrever. Depois, eu uso o método pomodoro. Já falei dele aqui antes, mas quando você já pensou no que vai escrever e tem 30 minutos de atenção total, a escrita flui que é uma beleza.

Eu preciso de todas essas ferramentas porque não sou a pessoa mais disciplinada da terra, sabe. Começo muita coisa que não termino, fico empolgada com as coisas por pouco tempo, etc. E ter alguma forma de controle e que me “cobre” faz com que eu produza e termine de fazer as coisas. Funciona muito bem para mim.

Falando assim, parece que é simples: DETERMINO UM CRONOGRAMA! CUMPRO O CRONOGRAMA! MANUSCRITO PRONTO! COLOCA NA MÁQUINA E COMEÇA NOVAMENTE!

Mas não é bem assim.

Para o projeto que trabalho agora, minha agente literária me deu um novo prazo para eu terminar meu manuscrito, pela terceira vez. Claro que eu consigo!, exclamei para ela, toda animada. Peguei meu novo planner e abri na parte do calendário. No passado, ainda estava na faculdade e usava esse período de férias para escrever. Mesmo no estágio, eu ainda tinha tempo de manhã para avançar a história antes de ir para a labuta — e pensei que, talvez, esse ano, fosse funcionar da mesma maneira e fiz um cronograma bem parecido com o de quando escrevi ARU.

Eu sou meio nova nesse lance de trabalhar 8 horas por dia num trabalho com muita responsabilidade que suga bastante energia do ser humano, sabe. Não ajuda muito eu ser uma pessoa extremamente diurna, que quase não produz à noite e que é introvertida e fica cansada de estar rodeada de muitas pessoas. Então uma meta que, em outro contexto era completamente possível, se tornou um pequeno Everest diário a ser escalado diariamente. O cansaço não é nem físico, é mental. Eu fico o dia inteiro no computador e quando chego em casa, por mais que esteja empolgada e saiba para onde a história vai, só quero sentar no sofá e ver Raising Hope. Eu preciso me readaptar a essa nova rotina e esperei, em um anseio juvenil, que isso acontecesse do dia para a noite, só porque eu decidi que seria assim.

E eu fico me sentindo culpada por não escrever. Parece que não estou me esforçando o suficiente, que não é possível, outras pessoas conseguem, eu também deveria conseguir! Eu tento ser mais gentil comigo mesma, mas é um esforço constante. O Daniel José Older fez um texto que gosto muito, Writing Begins with Forgiveness, em que ele fala sobre como aquele velho conselho de “Escreva todos os dias’ está errado justamente porque as pessoas trabalham, e ficam cansadas, e que a gente precisa se perdoar por isso, mas é difícil pra caramba.

Agora comecei a testar outras estratégias: acordar mais cedo para escrever e escrever na hora do almoço. Os primeiros dias foram falhas críticas, MAS estou confiante que um dos dois deva funcionar, pelo amor de deus. NÃO POSSO ESTOURAR MAIS UM PRAZO!!!!!!!!!!!

Me desejem sorte!

E vocês? Como se organizam? Vocês se organizam? Conseguem cumprir os prazos???

Cês já viram que sou péssima com isso, né.

 

Diário de escrita RELOADED #1

Tem quase um ano que não tem post aqui, mas 2017 promete NOVIDADES!! E a VOLTA TRIUNFAL DE BÁRBARA MORAIS.

Mas antes, vamos conversar um pouco sobre 2016.

2016 foi um ano atípico.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que não escrevi um livro.

Foi o primeiro ano desde 2012 em que fiquei brincando com ideias e sofrendo, em que tudo o que eu tentava fazer em relação à escrita não ia para frente.

Isso me fez me sentir péssima.

Trabalhei num projeto (o Super secreto, que vocês podem ver nos posts antigos) que não deu certo, que não estava pronto e só me deixou desanimada. Tentei continuar Starships, mas a história batia nas paredes do que eu escrevia e quicava de volta para mim, não tá certo, não tá certo, não é assim. Eu me senti um cachorro correndo atrás do meu próprio rabo, incapaz de parar e incapaz de chegar ao meu objetivo. Tudo que eu comecei, não consegui terminar (além da minha monografia é claro – agora sou oficialmente uma economista, formada, sem o peso da faculdade para me atrapalhar).

E eu não tinha como escrever nada aqui com tudo atado desse jeito. Como eu ia escrever sobre algo que eu estava sentindo sendo que eu nem sabia o que eu estava sentindo? Aí eu virei o Yuri Katsuki, de Yuri!!! On Ice: meu cachorro morreu, eu comi mais do que devia, perdi o Gran Prix, voltei pra casa, gravei um vídeo imitando meu ídolo e ele apareceu aqui dizendo que queria me treinar!!

VKUSNO!!!!!!!!!

Ok, momentos de fangirl esquisita a parte, 2016 teve uma parte boa: como nada ia para frente, eu me movi. Comecei a pensar sobre o que quero como escritora, sobre que tipo de história quero contar, sobre que impacto quero ter no mundo, sobre legado. Por que eu escrevo e para quem eu escrevo? O que significa ser uma mulher escrevendo fantasia e ficção científica no Brasil hoje e o que vou fazer com isso? Como eu quero ser vista quanto autora voltada para o público jovem? O que eu posso fazer para alcançar isso?

Não vou divulgar minhas conclusões aqui porque elas são a trilha sonora que toca no fundo de todos os textos do diário de escrita, mas foi importante ter essa claridade para começar a desatar os nós. Eu já disse várias vezes que não acredito em manuais de escrita, em VOCÊ DEVE FAZER ISSO E ISSO PARA ESCREVER e sim em você testar os métodos até descobrir o que funciona para você, né. O autoconhecimento é importantíssimo para a escrita e, conforme fico mais velha, mais eu descubro que não é só em relação à escrita em si.

Uma vez a Maggie Stiefvater postou que a cada aniversário, ela se torna mais ela mesma. Isso faz cada vez mais sentido para mim e, conforme eu vou me tornando mais eu mesma, minhas histórias vão se tornando mais minhas. Os meus maiores problemas em 2016 foram porque eu estava me forçando a contar histórias que não eram necessariamente minhas. Elas eram interessantes e eu leria, mas elas não eram a BÁRBARA. E isso acabou sendo desgastante demais — e, para mim, se tem algo que a escrita não deve ser, é desgastante. Cansativa, sim, mas emocionalmente desgastante, não.

Eu me entendo um pouquinho melhor agora depois de 2016, minha escrita está fluindo mais, encontrei a minha história dentro de Starships e tudo está sinalizando que 2017 será um ano melhor nesse aspecto. Minha única meta esse ano é pouco ambiciosa: escrever algo todos os dias. Não tenho meta de palavras nem nada, é só escrever alguma coisa. Pode ser um post pra blog. Uma frase de uma história. Um enredo. Sei lá, tenho que escrever, e ponto. Eu tenho que me manter me movendo.

Isso significa, é claro, que o Diário de Escrita está de volta!
(E está aceitando sugestões, é claro)

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