Como disse no post anterior,  os próximos dois posts vão ser sobre o início do processo de escrita. A maior parte das ideias que tenho caem dentro do guarda-chuva da ficção especulativa, em um dos subgêneros da fantasia ou da ficção científica. O meu projeto atual é ficção científica (de novo), mas mesmo que fosse fantasia eu teria que fazer a mesma coisa: construir um mundo novo.

É o que a gente chama de worldbuilding, porque amamos pegar emprestados termos do inglês que são sucintos e descrevem com facilidade o processo meio estranho de criar o cenário em que sua história vai se passar. Quando eu uso cenário assim parece que é só “ah, vai se passar na idade média e ter magia!” ou “tem espaçonaves e alienígenas!”, mas vai bem além disso. Você precisa criar um mundo tridimensional que se adeque à sua história, que pareça real enquanto os seus personagens transitam por ele. Não precisa explicar tudo no livro — gastar páginas e páginas e páginas dissertando sobre o que aconteceu com a tecnologia até chegar no milênio seguinte detalhando todos os policarbonatos que foram utilizados — mas você precisa saber de detalhes (e como usá-los) se quiser tornar sua história mais real.

UM MUNDO IDEAL FEITO SÓ PRA POR VOCÊ

Aí, pesquisa e leitura são fundamentais. Você sabia que já existem alguns trabalhos teóricos prevendo o uso de matéria escura como combustível para viagens espaciais entre galáxias? Sabia que a primeira pessoa a provar de forma robusta que a matéria escura existe foi uma mulher? Sabia que, atá agora, a Terra é o único planeta que tem oceano na superfície e não embaixo dela? Eu descobri essas e outras coisas enquanto pesquisava para o worldbuilding do livro que estou escrevendo. Alguma dessas coisas vai aparecer diretamente no texto? Acho improvável, mas o conhecimento delas me deixa mais segura para descrever problemas que podem acontecer nas naves e imaginar uma tecnologia que se adeque à história que quero contar.

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