Diário de Escrita #16

ACABEI A REVISÃO!!!!!!!!!!!!!!!

Quando comecei a revisão de Anômalos 3, achei que ela duraria um mês como a do segundo e seria bem tranquila. O primeiro rascunho tinha em torno de 86 mil palavras, que é mais ou menos o tamanho de AAI e eu sabia que ele ia ficar um pouco maior, talvez umas quatro ou cinco mil palavras a mais.

Três meses depois e 20 mil palavras adicionadas (e 30 mil cortadas, que foram reescritas), eu terminei a MINHA revisão para poder deixar o livro redondinho para mandar para a editora. Esse foi o processo de revisão que gerou mais mudança no manuscrito, porque geralmente sou bem sintética no primeiro rascunho e faço só o esqueleto da história, preenchendo depois (por isso, eu sei que meus primeiros rascunhos sempre ficam menores do que o livro final). A questão toda de Anômalos 3 é que eu fiz isso, mas acabei não juntando uma cena à outra e precisei fazer essa ligação. Também fiz uma grande mudança estrutural por motivos de ritmo, cortei alguns personagens que eram desnecessários, refiz o final completamente porque o anterior não estava funcionando na minha cabeça. Tudo isso enquanto estudava para provas e fazia seis horas de estágio. Eu tenho certeza de que se escrevesse em tempo integral, o processo teria sido bem mais rápido, mas não foi. Enfim, esse pequeno atraso ainda não prejudica a data prevista para o lançamento, que é na Bienal do Rio de Janeiro. As próximas atualizações, como nome, capa, sinopse e tudo o mais devem vir no mês que vem ou em agosto, depende de como o processo editorial caminhar. Fiquem ligados aqui que sempre os manterei atualizados.

“Tirei um F de Fantástico!”

Como terminei o livro essa semana e estou no meio de provas (NOVAMENTE), vou esquecer toda a pretensão de falar do processo de forma linear e responder uma pergunta que o Felipe fez nos comentários:

Humn… Alguma coisa que eu gostaria de saber? Aproveitando que eu meio que estou nesse momento, como você faz para escolher uma história nova para começar a escrever? Você tinha várias ideias e decidiu seguir agora com Starships ou você só tinha ela mesmo e foi em frente? O fato de você ter a Gui como agente influencia na escolha do que escrever? Digo, a agente recomenda algum tipo de história ou veta outras? Gostaria de saber mais sobre a relação autor/agente, acho que daria posts interessantes.

Abaixo eu comento da minha experiência trabalhando com um agente literário, mas deixo bem claro que ela é a minha experiência. É como a minha agente trabalha e nem todos seguem o mesmo padrão que ela. Enfim, vamos lá!

Começo respondendo o Felipe: a maior parte dos escritores que conheço, tem várias sementes de história em mente, em diversos estágios de desenvolvimento. Algumas só precisam que você sente e escreva (ou a organize um pouco mais), outras são só palavras soltas como “MAGIA. INTRIGA. TRAIRAGEM.” e você não tem mais nada além disso. A escolha do próximo projeto envolve vários fatores subjetivos e a maturidade da ideia. Acontece de você ter a ideia formada, planejada e, quando começa a escrever, você sente que não é o momento certo para aquela história — seja porque ela vai exigir mais do que você pode oferecer, seja porque você ainda não está seguro em usar os recursos narrativos necessários para ela ficar boa, seja porque apesar de tudo, não é exatamente aquela história que você está a fim de contar. Você só descobre isso quando começa a escrever, então não tem uma fórmula certa. Minha recomendação é que veja qual delas parece mais madura, a que você pensa mais, e invista nela. Se não for ela, você vai descobrir.

Faça boas escolhas

Com essas várias ideias, você acaba tendo um pouquinho de tudo. E, para mim, é muito importante ter alguém com quem conversar para ter clareza do que devo fazer a seguir e organizar meus cronogramas. Na primeira conversa sobre isso que tive com a Gui, eu contei todas as ideias mais maduras que tinha e a gente elencou uma prioridade, pensando em quesitos mercadológicos e criativos. Não é algo unidirecional, de “VOCÊ VAI FAZER ESSA”, mas é uma conversa aberta com muito capslock e frustração pelo dia não ter 32 horas  e eu não ter me formado na faculdade ainda. (Inclusive outro dia mostrei meu cronograma para ela e o comentário foi “Meu livro favorito só vai ser escrito em 2018? </3”).  Tirando isso, geralmente só converso com a Gui quando tenho é algo claro, que eu sei que vai ser desenvolvido e não é só uma bagunça estranha que pode ser incorporada em uma ideia que já tenho. E aí a gente avalia como viável ou não, dentro dos projetos que já elenquei como prioritários, e coloco ele na lista.

O nosso relacionamento é muito próximo, então nossa conversa sempre é muito sincera. Quando a Gui acha que uma ideia não funciona ainda, que precisa de mais amadurecimento ou que não teria um bom posicionamento no mercado atualmente, ela é sempre clara. Além disso, ela sempre procura os furos de enredo e questiona motivações de personagens, o que me ajuda muito a tirar a cabeça da história e vê-la com outros olhos. Também uso-a como consultora: isso aqui está demais? Você acha que eu arrisco colocar esse tema nesse livro ou ele vai se perder? Posso deixar para outro, se for preciso. (Isso aconteceu com Starships, suavizei uma parte do enredo porque tanto eu quanto ela concordamos que não seria bem trabalhado do jeito que imaginei por ter elementos demais na história).Também aprendi com ela que todo texto precisa de algum tipo de trabalho e sempre tem algum defeito que pode ser corrigido ao ponto de suspeitar que tem algo errado quando um texto vem sem observações. Não quer dizer que seja ruim, só quer dizer que pode ser melhor. (Mas as vezes está ruim mesmo e nesse caso, ela sempre diz para mim “tá muito ruim, refaça” porque nosso relacionamento é na base do amor duro).

Minha reação todas as vezes que a Gui devolve um texto para mim.

Enfim, eu gosto muito, muito de trabalhar com uma agente porque nossas visões se complementam e acredito que isso me ajude a produzir cada vez melhor. O entendimento de mercado que nós duas temos é complementar e a ajuda em alguns aspectos mais burocráticos é incomensurável. Mas isso fica para um próximo post, porque esse já passou da conta! Se tiverem mais perguntas, só comentar. Vai que acaba virando um post?

Ah, e compartilhem os seus processos de escolha de histórias também para ver se dá uma luz pro Felipe.

Até semana que vem 🙂

4 Comments

  1. Sofro desse mal de muitas ideias e não saber qual escolher, as meu maior problema é a procrastinação… Enquanto estou idealizando a história e os personagens vai tudo muito bem, ai chega a hora de escrever efetivamente alguma coisa e não consigo… Não consigo fazer aquela ideia ganhar forma e vida. Frustrante!
    Acho que ainda não achei a primeira história que quero mesmo contar e ainda tenho muito que aprender sobre escrever… Mas um dia vai sair algo, sei que vai! 😀
    Estou adorando os posts!

    • barbaram

      June 19, 2015 at 17:33

      É uma maldição e uma benção, isso de ter várias ideias. Bem, eu tmabém costumava procrastinar, mas aí eu comecei a fazer alguns mecanismos (acho que falei num dos primeiros posts dessa série) para tentar me focar e deram super certo! Eu acho que se você quer escrever, precisa tentar arrumar um mecanismo para deixar de procrastinar e dar vida à história.

  2. O que me chocou no texto: VOCÊ TEM UM CRONOGRAMA PARA AS HISTÓRIAS! Que legal!

    Eu tinha imaginado que o relacionamento com o agente literário era um pouco diferente, tipo aqueles editores americanos que oferecem a ideia para o autor “Que tal vc escrever um livro sobre bruxas asiáticas?”. Algo assim. Parece ser ótimo ter esse direcionamento e visão de qual é o melhor momento para uma história acontecer, parece bem complexo.

    Obrigado por esclarecer minha dúvida! Achei bem legal 🙂

    E TENHO MAIS: Sobre personagens dessa vez. Como você faz para criar os seus personagens? Acontece de um jeito natural a caracterização deles ou você tem algum planejamento quanto a isso? Você baseia seus personagens em pessoas reais (amigos, familiares, celebridades, etc) ou usa características aleatórias?

    • barbaram

      June 19, 2015 at 17:32

      EU TENHO UM CRONOGRAMA DE TUDO, FELIPE. DE TUDO.
      Ah, mas tenho a impressão de que isso só acontece quando é um livro encomendado? Sabe, tem uma diferença. Uma coisa é sugestão de história (e isso recebo de todas as pessoas), outra é esse direcionamento mais restrito que eu acho que você está pensando. Mas enfim!! Foi bom saber que esclareci algo para você, aahaha.
      RESPONDO SOBRE PERSONAGENS EM OUTRO MOMENTO, FELIPE. Mto obrigada por me ajudar a ter ideias para posts, ahahaha

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