Diário de Escrita #17

Para o post de hoje, eu fiquei num dilema. O Felipe fez outra pergunta interessante nos comentários do Diário #16, a minha agente sugeriu um tema legal, sugeriram algumas coisas no twitter também e eu também fiquei balançada entre postar algum dos textos que tenho nos rascunhos aqui ou não. No final, optei por seguir a sugestão da Gui, porque é exatamente o momento em que me encontro agora e será VERDADEIRAMENTE UM DIÁRIO!!! (mas ainda aceito sugestões de temas e perguntas, visse)

Se vocês estão acompanhando os posts, lembram que no post passado eu comentei que terminei a revisão. No dia em que ele foi ao ar, eu ainda tinha alguns ajustes para fazer antes de enviar para a editora e somente na segunda-feira consegui terminar todos e enviá-lo. E nesse post quero falar sobre o que acontece agora.

Um dos conselhos de publicação que eu mais ouço – e o que mais dou também – é que é necessária paciência. Paciência quando você envia um manuscrito para análise de uma editora, paciência para obter uma resposta… mas mesmo depois que você tem uma editora, que você é publicado, a ansiedade e o nervosismo são seus inimigos. Sabe por que? Porque os profissionais da editora também precisam de tempo para trabalhar no seu livro.

Mas vamos com calma. Segunda-feira eu enviei o manuscrito para a minha editora e seus assistentes editoriais e, daí, eles se organizam em um pentagrama de formas misteriosas para trabalharem no livro. Nessa primeira etapa tem a preparação, em que o preparador lê o texto e faz um ajuste fino de palavras, cortando algumas que causam redundância, limpando conjunções, mudando frases de lugar para melhorar o entendimento. Todos os livros passam por isso, porque por mais que eu e a Gui tenhamos revisado e relido, outra pessoa encontra novos detalhes que podem ser modificados para tornar a leitura mais fluída. Ao mesmo tempo, o texto também é lido pela editora/assistentes editoriais e eles fazem as observações do que precisa ser editado na história. Isso também é importante porque a próxima etapa é fazer capa, decidir titulo e sinopses, e sem pelo menos um dos envolvidos no processo editorial ter lido o livro, fica bem complicado.

Os comentários viram uma carta de edição, que é enviada para mim junto com o texto já preparado. Para o primeiro livro, ela foi consideravelmente grande, com várias observações e insights que eu não tive sobre o texto. Foi nessa etapa que mudei quase todos os nomes de personagens, adicionei cenas e modifiquei o final para atender à uma das observações que achei pertinente. Por outro lado, não aceitei outras sugestões porque elas iam contra a intenção do livro, mas percebi que se aquele ponto não estava claro, eu precisa melhorá-lo. Enfim, eu amo as sugestões e os insights da editora porque acho que permitem que eu melhore o texto, mesmo que não acate tudo. Essa é minha experiência e tenho a sorte de trabalhar com uma equipe muito competente e muito bem preparada para me dar suporte, porém isso não ocorre com todos os autores.

“Eu fiz isso? Eu estava bêbada?” – Minha reação ao ler as observações da editora

Esse processo todo na editora demora cerca de um mês, um mês e meio. É um processo no qual eu não tenho nada a ver, embora às vezes responda um questionamento ou outro que surja, e um período em que fico sem fazer nada, só esperando. É bom para descansar do texto, e posso parar, refletir e ver se existem mais mudanças que quero fazer (embora, nesse momento, seja praticamente impossível fazer mudanças radicais de enredo). Depois que o texto voltar para mim, eu tenho umas duas semanas para fazer as modificações e mandá-lo de volta para a revisão.

Só depois disso entramos no processo da capa-título-sinopse. O título é um pequeno parto, porque eu sou péssima com isso e precisamos encontrar algo que agrade não só a mim e aos responsáveis pelo processo editorial, mas também ao departamento comercial. Com o título em mãos, vamos à capa. A primeira capa foi a que demorou mais tempo para ser feita. Fizemos uma reunião com o capista, conversei sobre o que eu gostava e o que eu não gostava e aí a editora foi fazer o trabalho dela. Eu só voltei a dar opinião no final, quando eles tinham três ou quatro opções de capas diferentes e nós conversamos e vimos qual era a melhor. A de Ameaça Invisível foi bem mais tranquila, porque já tínhamos um modelo para seguir (o da primeira) e ela veio boa de primeira. Acho que com o terceiro vai ser mais ou menos o mesmo processo.

Eu não sei porque esse gif está aqui, mas Tom Hiddleston.

Em paralelo ao texto e à capa, há a estratégia de divulgação. Nós normalmente conversamos sobre isso na mesma reunião do título e decidimos como vamos fazer. Onde vamos divulgar a capa? Que tipo de estratégias vamos utilizar? Vamos usar conteúdo extra em blogs? Divulgar playlist? Como vamos atingir o público e deixá-los cientes da existência desse livro? O bom de estar numa editora como a Gutenberg é que há um bom apoio e uma estrutura interessante para desenvolver estratégias, mas é outro desafio pensar nisso. Para o livro passado, fizemos mini-bios e liberamos citações, além das outras coisas. Para esse ano, eu tenho algumas ideias mas aceito sugestões!

Voltando ao texto: ele vai para a revisão. Fica lá um tempo e volta para mim revisado e diagramado. Eu quero fazer o lembrete aqui que toda vez que o texto volta para a mim, a Gui também o relê. E que toda vez que ele volta para a editora, alguém que está trabalhando com ele o relê. No final, tem umas cinco pessoas lendo cada livro entre cinco e dez vezes no processo editorial, e ainda assim os livros saem com errinhos de revisão! A VIDA, ELA É ESTRANHA.

Ao todo esse processo inteiro demora pelo menos três meses e são três meses em que você, autor, deve ficar de boa na lagoa porque as pessoas da editora estão fazendo a sua mágica. Esse é um dos momentos em que a paciência e o deboísmo são fundamentais para você manter a sua sanidade. E enquanto eles trabalham, VOCÊ PODE ASSISTIR NETFLIX*. MUAHUAHAUA.

Você vai sofrer… mas vai ficar feliz quanto a isso.

*Não no meu caso. Eu tenho provas. Eu sou hiperativa. Eu invento coisas para fazer enquanto espero, como organizar o NUPE ou escrever livros. 

2 Comments

  1. Muito interessante!

    Não sabia da existência do preparador de textos e estou meio “Gente???”, porque ele muda o seu texto sem você saber exatamente o que ele está fazendo, né? (Não que seja ruim, pois o preparador deve entender o que funciona melhor que o autor)

    E fico pensando ainda no tanto de vezes que as pessoas precisam ler o original. Que trabalho oO Eu reli uma história que escrevi umas 4 vezes, chega uma hora em que acho que NÃO DÁ MAIS. Imagina QUINZE vezes! Só gente guerreira trabalhando nos livros.

    E o pessoal do comercial influenciando na escolha do título! Quer dizer, bem óbvio, né, mas nunca tinha pensado nos interesses de todos os setores envolvidos.

    Adorei o post 🙂

    • barbaram

      June 26, 2015 at 16:08

      As mudanças que o preparador fazem são bem sutis, de modificar palavras, corrigir algumas expressões e mudar frases de lugar. Não é nada de OMG MUTILARAM O MEU BEBÊÊ, até porque mudanças maiores aparecem como sugestão para o autor durante a edição, né.
      E SIM, É ABSURDO O NÚMERO DE VEZES QUE A GENTE LÊ O MANUSCRITO!!!!! Por isso você tem que gostar da história, ahahaha.

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