No fim do mês passado recebi essas perguntas da Jully Guedes no Twitter:

Para quem não consegue acessar o twitter, a transcrição:

Sugestão pro prox post: Queria saber como você conseguiu sua agente.
Você tem que ser amigo/conhecido da pessoa? Fica mais fácil se publicar o livro independente?

Por alguns instantes, achei que no meu FAQ eu explicava como consegui uma agente literária, mas vi que não. No meu caso, a minha agente me procurou, porque já conhecia meus textos do blog, e me sondou para saber se eu estava escrevendo algum livro dentro do que ela trabalha e calhou de eu estar (sempre estou escrevendo livros, enfim). Até o momento em que conversamos, ela ler o que se tornou A Ilha dos Dissidentes e se interessar, eu nunca havia sequer cogitado a possibilidade de publicar um livro. Eu escrevia porque eu gostava, porque tinha ideias, porque me interessava. Volta e meia eu ficava revoltada com o curso (ainda fazia elétrica) e zoava dizendo OLHA SÓ QUANDO EU FOR UMA BESTSELLER NADA DISSO VAI IMPORTAR, mas eu nunca acreditei nisso de verdade, ahahaha.

Eu conhecia a Gui só de passagem, porque ela era amiga da Babi e da Iris. Conheci todas elas por causa do blog e de falarmos sobre livros juntas. Algo que acho que pouca gente considera é que escrever e publicar é um trabalho. E assim como todos os outros trabalhos, você acaba fazendo amizades e conhecendo quem está no mercado junto com você. Talvez a sua pergunta sobre precisar ser amigo/conhecido do agente tenha vindo de ver que a maior parte dos autores e agentes se conhece em algum grau, mas isso não influencia muito. O que importa mais é você produzir e mostrar qualidade em tudo que escreve, de um tweet a um post no facebook, porque pode atrair a atenção de algum agente que esteja procurando novos autores. Também há o processo de submissão aos agentes que é bem parecido com o das editoras, mas aí você precisa pesquisá-los individualmente e ver qual é o esquema com o qual trabalham.

Mas algo que acho que todos os autores devem ter em mente é que se você já tem um público pré-definido, seja de um blog, seja de um canal do youtube, seja de um livro lançado independente, é muito mais fácil convencer de que o seu livro tem potencial de venda. E em qualquer profissão, o networking é fundamental. Não é muito diferente no mercado editorial.

“São duas pessoas se conectando. Com quatro outras pessoas e aliens”

Uma última observação: antes de começar a trabalhar com um agente literário, é MUITO importante falar com os autores que ele agencia. Como já disse algumas vezes no twitter, cada agente tem um estilo de trabalho e talvez você e ele não combinem. Além disso, recentemente uma pessoa se passou por agente ltierário e abordou autores mentindo sobre quem agenciava. Tomem cuidado com pessoas mal intencionadas!

Enfim, acho que é isso. Eu também pedi a opinião da Gui, minha agente, que deu a seguinte resposta:

Não, não precisa ser amigo do agente! Por exemplo, eu não conhecia a Nia quando apresentei minha proposta e ela topou assinar comigo para que eu pudesse representá-la.

O autor iniciante pode procurar uma agência ou agente autônomo e apresentar o seu original. Muitos precisam contratar o serviço de leitura crítica, assim o agente fornece um parecer com pontos fracos e fortes do texto e uma análise mercadológica (se aquele livro seria bem recebido no mercado editorial, tanto pelos livreiros quanto pelo público-alvo leitor). Só com esse parecer o agente tem noção se poderá agenciar o livro, se gera networking para apresentá-lo e vendê-lo. Às vezes, o agente não acha que seria um nom negócio e conversa com o autor no que ele pode mudar e editar, isso faz parte de assessoria editorial. Tudo isso é indiferente se é um livro inédito ou que já foi publicado independentemente. No último caso, funciona como termômetro, pois se o livro já existe de forma independente é fácil analisar a resposta do leitor e saber se fará sucesso.

Então, não existe regras. O autor pode ser conhecido do agente ou não, mas o que o fará ter uma boa representação literária, que defenda seu livro e consiga um bom contrato, será a qualidade (tanto contextual quanto vendável) do seu original.

Também acontece (como com a Bells e Dayse) do agente se interessar pelo talento de um autor e ir atrás dele, fazendo a proposta para analisar textos dele e montando um projeto para um livro. No caso da Bells, ela tinha escrito AIDD sem pretensão de lançá-lo e quando conversamos me interessei pela história e trabalhamos nela juntas para deixá-la melhor adequada para o mercado editorial. Dessa forma, o agente/agência também “caça” futuros autores que possuem potencial.

Ela recentemente participou de um podcast bem interessante sobre o assunto.

Enfim, eu espero ter esclarecido a dúvida. EU ESTOU DE FÉRIAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E considerando tentar fazer 2 diários de escrita por semana, um respondendo as perguntas de vocês e outro com o que estou fazendo. O que acham? PRECISO DE PERGUNTAS PARA FAZER ISSO, ENTÃO MANDEM VER!!!

Suzanne, nos conte sobre o seu processo. Eu penso besteiras e as escrevo.