Diário de escrita #20

VINTE!!!!

CHEGAMOS AO VINTE!!!!!!!

Nem acredito!!! Eu estou de férias, estou conseguindo manter isso aqui e comecei a limpar o sistema dos meus anômalos e voltar a pensar em Starships. É sobre isso que quero falar agora. Não posso falar muito sobre a história por vários motivos, o principal sendo que até estar na última versão, eu não tenho muitas certezas sobre o que a história vai ser. Mas quero conversar sobre como as ideias evoluem até chegar aqui, no momento em que meus dedos ficam agitados querendo colocá-las no papel.

No diário de escrita 9, em que falei sobre começos, comentei que tinha mais de 40 mil palavras de Starships espalhadas em vários arquivos e várias pessoas ficaram um pouco decepcionadas porque eu havia dito que tinha sentado para organizar isso umas duas ou três semanas depois. Embora seja inteiramente possível escrever 40 mil palavras em três semanas, não foi isso que aconteceu. Starships é uma história que surgiu em 2012, quando eu estava trabalhando na primeira versão de A Ilha dos Dissidentes e veio com uma cena inteira que escrevi em um dia. Depois, nos intervalos que eu tinha entre um livro e outro da trilogia Anômalos, tentei trabalhar a história, mas ela não estava funcionando, como comentei nesse post. Então foram 40 mil palavras ao longo de 3 anos.

Eu não consegui escrever antes porque a história não estava madura, não estava bem feita. Eu tinha uma grande parte do worldbuilding, os personagens e uma linha geral da trama. Ao longo dos anos, percebi uma série de coisas que não pareciam boas para essa história e fui trocando. Quando sentei, em Abril, para organizar todos esses pedacinhos de forma coerente, as mudanças foram ficando cada vez mais profundas e eu defini coisas o suficiente para começar a escrever. Só que enquanto revisava anômalos comecei a pensar sobre esse projeto (MULTITASKING FTW) e vi que a parte do meio para o final estava bem nebulosa e não fazia sentido e que diabos eu tava fazendo?

Aí eu fiz mais mudanças até me parecer certo. Essa semana sentei para começar a escrever, mas as coisas não caminhavam… e percebi que esqueci uma parte fundamental do worldbuilding de fora e um personagem novo foi acrescentado e com isso todo o nó do meio pro final do enredo foi desatado!!!!!!! VITÓRIA!

Eu estou falando tudo isso porque com frequência nessas postagens eu digo que divido a escrita em dois processos: o mais direto, em que você senta e escreve, e o processo mental de organizar a história. A forma como esses dois processos se casam variam de autor para autor e até mesmo de história para história do mesmo autor. No meu caso, geralmente faço todo o esforço mental antes de me sentar e escrever e, por isso, trabalho várias ideias ao mesmo tempo. Só quando decido qual é o próximo livro que vou escrever que paro e penso nos mínimos detalhes daquela ideia para transformá-la em meu projeto em andamento.

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É comum que uma ideia transborde e eu precise escrever algo dela. É mais ou menos assim que distingo as ideias de livros das outras. Eu tenho uma ideia praticamente todos os dias e se TODAS elas fossem virar livros, eu iria morrer e não iria contar todas elas. Algumas são só conceitos passageiros, outras não tem forma muito bem definida, algumas são só personagens, outras são só mundos. Mas a maior parte delas pode ser mesclada com alguma história ou algum mundo mais sólido que já tenho imaginado. Eu acho que está meio estranho de entender, mas pense em planetas. Pensou? Então, em algum momento eles eram várias rochas orbitando no espaço e que se colidiram vezes o suficiente para se tornarem uma grande rocha — as ideias são mais ou menos assim. E só os “planetas” que são livros, todas as outras são asteroides, meteoros e outros corpos espaciais não identificados.

O tempo de maturação de cada ideia também é bem diferente. Por exemplo, esses dias tive uma ideia que surgiu do nada e se eu não estivesse concentrada em Starships, tenho quase certeza que escreveria ela porque está quase tudo pronto. Por outro lado, tenho um GRANDE PROJETO envolvendo guerras e nobreza em um mundo de fantasia que tenho certeza que precisarei de pelo menos 4 anos para ter um escopo da história e do mundo como um todo. Anômalos foi uma ideia com tempo de maturação bem pequeno, como o primeiro exemplo.

Enfim, acho que o post de hoje é basicamente mais um para reiterar que não existem regras. Eu só descobri todas essas peculiaridades que estou falando com anos de escrita (inclusive outro dia encontrei minha pasta com COISAS e fanfics e worldbuildings de quando eu era adolescente) e descubro cada vez mais conforme avanço por esse caminho. Acho que é importante ter em mente que não dá para se comparar aos outros porque cada individuo tem um mecanismo de criação diferente e que a paciência é fundamental se você quer escrever. Mas acho que isso é conversa para outra hora.

O título de Anômalos 3 sai hoje, às 19:30! Não deixem de voltar aqui para vê-lo!

4 Comments

  1. Um autor que eu amo, Brandon Sanderson, numa de suas aulas de escrita criativa , separou os escritores em dois grandes grupos: jardineiros e arquitetos. Os jardineiros escrevem e vão conhecendo e moldando a obra conforme escreve. Os arquitetos precisam ter tudo 100% planejado antes de sentar e escrever. Você acha que está mais para uma escritora jardineira ou arquiteta?

    • barbaram

      July 17, 2015 at 17:22

      Eu acho que já respondi isso em algum dos posts anteriores do diário, mas vai lá: eu sou uma terceira categoria, o “Ligue-os-Pontos”. Faço o worldbuilding e os personagens, uma lista com pontos de enredo relevantes e começo a escrever sabendo só que esses pontos de enredo PRECISAM estar na história. Todo o resto deixo fluir e acontecer na hora que estou escrevendo, tendo como base o que delimitei.
      Em termos de arquitetos/jardineiros, eu seria uma paisagista.

  2. Mesmo que cada pessoa trabalhe de forma diferente, é tão bom e reconfortante saber alguns desses processos. Mostra algumas das possibilidades que podem funcionar para você! Obrigada pro compartilhar isso ^^
    Agora uma dúvida, em relação ao seu processo de criação e sobre ideias: você normalmente enxerga o final de uma dessas ideias com facilidade? Como você decide onde ela vai terminar?
    Um dos meus maiores problemas em começar de fato a escrever é que costumo ter o mundo, os personagens, a ideia base, mas não consigo ver onde a história vai terminar. E isso me impede de criar os pontos finais. As vezes acho que é só uma questão de amadurecer a ideia, mas as vezes acho que é alguma falta ou problema meu mesmo hahahaha. Você já passou por isso?

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