Diário de escrita #23

É, não teve post semana passada.

O que aconteceu: eu estou trabalhando num estudo no estágio e completamente sem tempo, então pensei “ah, quando chegar em casa eu faço o post e programo” durante todos os dias da semana. Mas chegou a sexta-feira e eu estava tão, tão cansada que sequer abri o computador. Essa semana, estava reclamando com a minha mãe sobre como ando exausta. Chego em casa e quando dá oito da noite, mal consigo manter os olhos abertos. Eu tenho inúmeras coisas para fazer – da faculdade, de divulgação de Anômalos, dos próximos projetos – mas só consigo deitar e olhar na cama e olhar para cima até a hora aceitável para dormir (22h, no meu mundo).

Isso não é novidade. Eu estava assim no início do ano, enquanto escrevia ARU. O problema é que, naquela época, era bastante justificável: quatro matérias pesadas na faculdade, seis horas de estágio, fins de semana inteiros dedicados à escrita. Agora não. Tenho três matérias que são até pesadas, mas relativamente tranquilas (OK, não tanto, tenho nove artigos para resumir antes da bienal e fiz DOIS, por motivos supracitados de chegar exausta em casa) e não tenho a obrigação de entregar um livro no prazo, sabe. Até comentei com a minha mãe que acho que estou com deficiência de alguma vitamina, porque não é possível. Também culpo a atividade física que comecei a fazer regularmente em março e outros mil fatores.

Mas daí eu li esse post do Felipe Castilho e os 6 kg que ele perdeu escrevendo o terceiro livro de O Legado Folclórico. E um post que uma outra escritora fez e a Sarah Dessen compartilhou. E de repente, tudo fez sentido e uma teoria que eu tinha ficou um pouco mais profunda.

Minha primeira reação ao ler o post do Felipe foi “É verdade”. A segunda: “Mas o que eu perdi escrevendo A Retomada da União, além da vida social?”.

Quando a gente escreve, a gente deixa pedacinhos de nós na escrita. Você extravasa as suas frustrações, as suas ideias, os seus sentimentos… Acaba sendo um processo emocionalmente exaustivo. No lançamento dos meus dois últimos livros, eu consegui ter uns bons seis meses entre terminar o texto, arrumá-lo e o lançamento. Isso me deu tempo de sobra para me desligar, para descansar essa parte emocional antes de pressioná-la novamente com a ansiedade do lançamento. Mas com ARU não foi assim. Com certeza foi o livro mais difícil e desgastante que já escrevi na minha vida, não só por causa de toda a pressão de É O FIM, PRECISO FAZER DIREITO, mas também por causa dos acontecimentos. A Sybil é levada ao limite emocional dela – e eu, em solidariedade, a acompanhei. E não tive tempo de descansar depois de todo esse processo antes de algo igualmente desgastante aparecer – vocês podem imaginar a ansiedade que é ter sua história solta no mundo para qualquer pessoa ler!

Respondendo a minha própria pergunta: eu perdi disposição escrevendo A Retomada da União. E ganhei sono. Muito sono, ahahah.

Imagem verídica de mim no fim do dia

Daí entra a minha teoria: tenho vários amigos escritores e cada um funciona de uma forma diferente. Eu, por exemplo, consegui fazer um livro por ano até agora porque tenho várias ideias, vários planos em minha mente que precisam ser colocados no papel. Mas demoro uns oito meses entre a finalização de um livro e o início de outro, mesmo que fique girando as ideias em minha mente como pedrinhas preciosas durante esse período, e aí termino o primeiro rascunho em três, quatro meses depois de começar a escrever. A Iris Figueiredo (que também vai lançar um livro na Bienal, o Confissões Online 2!), exemplo, demora um ano ou mais para começar a escrever um livro novo, mas quando começa, termina o primeiro rascunho em uma ou duas semanas! É impressionante!!

A Iris escrevendo um livro

Enfim, cada escritor tem um ciclo de criação diferente do outro e antes eu atribuía isso à forças estranhas indescritíveis que faziam com que nós funcionássemos diferentes. Mas talvez seja o tempo que precisamos para nos recuperarmos do desgaste emocional e físico de escrever um livro. Talvez seja o tempo que a nossa musa precisa ter de férias antes de voltar e sussurrar as histórias em nossos ouvidos. Talvez se você força demais, acabe produzindo algo que não é o melhor que você poderia fazer no momento. Não sei, o que vocês acham?

1 Comment

  1. Eu também, quando me empolgo com uma história, escrevo até a metade rapidamente. Só nunca consegui chegar até um fim, mas tenho certeza que isso acontecerá um dia. Cada um tem suas limitações na escrita, e é por isso que é bom a gente conhecer novos escritores, para trabalhando em auto-ajudo, nos melhorarmos.

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