Diário de Escrita #24

Se acomodem que para compensar, o texto de hoje é GIGANTE. Vou aproveitar que a Bienal acabou para falar de um assunto muito importante: DIVULGAÇÃO.

Imagino que se você tá aqui porque é interessado em escrever, deve ter alguma noção de como as coisas funcionam. Eu sei que eu tinha: o processo não termina só porque o livro foi publicado, você precisa divulgar ele constantemente, essas coisas. A teoria vai por aí mesmo, mas ela não necessariamente te prepara para a prática. O autor é o maior responsável pela divulgação do seu próprio livro.

Caso você não conheça, essa é a capa de Minha Vida Fora de Série 3!

Esse é Minha Vida Fora de Série 3!

Eu quero ilustrar com um exemplo que vocês devem conhecer: A Paula Pimenta. Desde que lançou Minha Vida Fora de Série 3, a Paula está na lista dos mais vendidos da Veja e de outros sites. Com Um Ano Inesquecível, lá foi ela novamente, junto com a Thalita, a Bruna e a Babi. Ela já saiu em jornal, em revista, na televisão, praticamente todo mundo no meio literário sabe quem ela é, ela já vendeu mais de 500 mil livros, foi traduzida lá fora… e ainda assim, ajudando no estande da Autêntica na Bienal, vi que ainda tinha gente que sequer sabia quem ela era, não conhecia nenhum dos livros que ela lançou e estava descobrindo eles ali.

Se isso acontece até com a Paula, que é bestseller, vai acontecer com todo mundo. Sempre existem leitores potenciais para os seus livros, sempre tem gente que não te conhece. E ficar sentado esperando que esses leitores venham até você, que os livros caiam do céu no colo deles é pedir para que seus livros não sejam lidos. E eu tenho a impressão de que se você quer publicar um livro é porque você quer que as pessoas leiam a sua história, né?

Então é uma questão constante para todos os escritores que conheço, dos auto-publicados aos bestsellers: como faço para atingir o meu público? Eu tive a tentação de adicionar um “maior”  no final da pergunta, mas não é necessariamente o tamanho que importa e sim as pessoas que vão ler a sua história, se identificar com ela e sair com algo daquela leitura. Como você alcança esse grupo? Como você conversa com ele? Numa terminologia estritamente econômica, como você encaixa a oferta e a demanda?

Hoje é bem mais fácil do que a sete anos atrás, quando a Paula começou. Mas tudo isso que ela tem hoje foi fruto dos anos iniciais, em que ela divulgou a obra dela das maneiras que podia. Nós temos blogs literários, vlogs literários, instagrans literários, facebook, twitter, tumblr e outra imensidão de redes sociais que nos permitem ficar mais próximos aos leitores. Mas mesmo assim, é bem comum que a gente se isole em bolhas nas redes sociais, nos rodeando de pessoas com interesses parecidos e fique parecendo que TODAS AS PESSOAS DO MUNDO SABEM DO SEU LIVRO, sendo que, hnm, não é bem assim. Por isso algumas ações específicas são muito importantes, como a ida em feiras e eventos e as visitas escolares.

Desde o ano passado, vou em quase todos os dias da Bienal, seja a de São Paulo, seja a do Rio de Janeiro. A maior parte das minhas vendas no evento não são para pessoas que me conheceram na internet e foram lá para comprar os livros, mas sim de pessoas que estão passando por lá, acham a capa legal, conversam comigo e levam o livro autografado para conferir qual é a dele. Eu tenho a impressão que a maior parte dessas pessoas sequer usa ferramentas como o Skoob e o Goodreads. Logo depois, vem as pessoas que um amigo/irmão/primo/sei lá indicou o livro ou que viram o livro em algum canal do youtube (e antes eu até sabia onde era, mas agora eu perdi completamente a noção de quem tá falando de Anômalos no youtube. POR FAVOR, ME MANDEM OS LINKS!!! Queria muito juntar todos os vídeos numa playlist).

Quanto à visitas escolares, escolas podem ser bastante conservadoras quanto aos livros que adotam. Eu já fui em uma que adotou meu livro em Jequié, no ano passado, e foi maravilhoso. Também fui conversar em uma escola aqui perto, em Luziânia, no Goiás, mas ainda tenho uma presença bem tímida em escolas. Agora, no Rio de Janeiro, quase todos os autores que conheço de lá tem algum trabalho de visitas em escolas e é um contato maravilhoso com potenciais leitores. Se a gente parar e pensar, talvez autores em outras cidades não recebam tantos convites porque as próprias escolas não sabem que estão perto deles. Enfim, mas é um trabalho bem interessante e recompensador, porque mesmo que você não venda livros, você está plantando uma sementinha de leitura no coração das crianças.

Eles vão DEVORAR LIVROS no futuro!! (ou pelo menos a gente espera que sim)

Enfim, atualmente a maior parte do meu trabalho de divulgação tem sido online porque é o mais prático. Por causa da faculdade, não tenho tanto tempo livre para me apresentar para escolas, para ir em eventos literários em vários lugares do país (nesse caso, além de tempo também é preciso dinheiro,  a menos que você seja convidado oficial), dentre outras coisas. Eu acho que tenho sido bem sucedida nesse aspecto nos últimos 2 anos, dentro das minhas limitações. Mas entre o lançamento de A Ameaça e A Retomada, eu me senti bem estagnada, sem saber como atingir um público além do que eu já atingia, sabe? Era a sensação de estar dando murro em faca, porque por mais que eu falasse nas redes sociais, todo mundo que me acompanhava já sabia dos livros. E o lançamento do terceiro livro era uma GRANDE OPORTUNIDADE porque a trilogia está completa, ieiii, mais pessoas vão se interessar – MAS COMO FAZER ISSO???

eu

Foi um grande dilema. Foi mais ou menos na época que eu comecei a ler A Arte de Pedir, da Amanda Palmer, e minha mente borbulhou de ideias. Mas, no final, eu descobri o que eu já suspeitava: a melhor forma de alcançar mais público é continuar produzindo. Sejam contos em um blog, sejam posts como esses, sejam vídeos, seja rap… o importante é você continuar produzindo e não desaparecer, o importante é sempre ter algo novo para fornecer para quem já está por aqui e quem é novo. Claro que a divulgação do que você produz em redes sociais diversas é fundamental, mas convenhamos que é bem chato seguir alguém no twitter ou no facebook que postar SEMPRE sobre as mesmas coisas, sobre o mesmo material, sem fornecer nada novo para você. Então eu acho que é importante ter essa diversidade de assuntos e de conteúdo para manter o seu público cativo – e atrair mais gente.

Mas claro que eu também tive uma mãozinha – eu comecei a patrocinar posts no Facebook.

Vou te dar um minuto pra ter a reação que quiser. A minha:

eu 2

Pronto? Volte aqui então. Eu mesma relutei bastante em fazer isso porque CARA, TÔ PAGANDO PRO FACEBOOK, UGH, NÃO. Mas a droga do algorítimo do Facebook faz com que a maior parte das postagens não apareça mesmo para quem segue a sua fanpage. Além disso, há toda a qualidade de usuário do facebook que é até seu leitor, mas, sei lá, por n motivos nunca seguiu a sua fanpage e tem interesse em fazer isso. O negócio é que esse tipo de publicidade não obriga ninguém a curtir nada, ele só mostra os seus posts e a sua fanpage para mais gente do que mostraria sem ela. O QUE É UMA BOSTA, mas já que não podemos lutar contra eles, vamos nos juntar a eles, né. Eu fiz dois testes durante a Bienal, um antes, para divulgar só a fanpage, e um durante, para divulgar as datas em que estaria lá no fim de semana. Os resultados foram bem positivos e eu gastei mais ou menos 30 reais, O QUE É MAIS BARATO QUE SAIR PRA IR NO CINEMA (mas preciso vender 10 livros pra pagar). Com certeza devo fazer novamente. Talvez eu tente com o twitter na próxima vez.

Algo que acho bem legal também – e bem importante – é quando autores divulgam outros autores, não só porque são amigos, mas porque nós estamos nessa juntos. Autores não são adversários, inimigos mortais, concorrência um do outro. Ninguém lê um livro só, quem se interessa por um, se interessa por vários. Um abre caminho para o outro e assim vai, sabe. Na Bienal, vários leitores me disseram que meus livros fizeram eles lerem mais autores nacionais, ou que os livros da Paula fizeram eles começarem a ler outros autores nacionais, ou que os livros da Iris… Não importa quem, o importante é perceber que ninguém rouba o público de ninguém. Claro que ninguém tem dinheiro para comprar TODOS OS LIVROS de uma vez só, mas é um trabalho de formiguinha, as pessoas vão comprando, pegando emprestado…

Antes de Anômalos sair, haviam poucas obras distópicas nacionais em publicação tradicional. Eu sei que já tinha um mooonte de gente independente aí escrevendo no gênero, embora não conheça muitos, mas depois de A Ilha, em publicação tradicional, tivemos a Roberta Spindler com A Torre Acima do Véu; o Renan Carvalho com a sua série Supernova; o Ricardo Ragazzo com Cidade Banida… Todas as vezes que algum leitor meu pergunta sobre outras distopias de autores nacionais, eu sempre comento deles (Aliás, se você, isso, você aí, publicou algum livro distópico, me avise aqui nos comentários que eu adiciono na minha listinha).

AUTORES QUANDO SE ENCONTRAM (talvez tenha mais álcool envolvido)

Enfim, na minha visão, é muito importante para um autor saber quais ferramentas ele tem e usar elas para atingir os seus leitores. Não ficar preso em suas bolhas sociais, participar ativamente de feiras, produzir novo material para os seus leitores, tudo isso são pontos fundamentais para propagar a existência da sua história no mundo! Ainda estou pensando em novas formas de fazer isso, então se você tem algum tipo de sugestão, sou toda ouvidos.

Ah, acho que é importante dizer que além disso tudo, eu ainda tenho o apoio da editora, que é um aparato muito importante. Não adianta muito fazer todo esse esforço de divulgação e o livro não estar nas livrarias, ou eles não ajudarem a propagar para um público ainda maior. Por isso, acho que minha experiência é mais fechada para a publicação tradicional. Existem diferenças quando se trata de uma autopublicação e eu não sei falar sobre isso com vocês, mas, quem sabe, eu não convido alguém para falar sobre isso aqui??? OU ALGUÉM COMENTA COM A EXPERIÊNCIA!!! COMENTEM, PESSOAS, NÃO FIQUEM COM VERGONHA.

Acho que é isso por hoje. Foi um textão, mas tentei compilar todos os meus pensamentos sobre divulgação num texto só. Talvez semana que vem a gente fale de algo completamente diferente, como o ciclo de vida das planárias num mundo de fantasia. Quem sabe?

7 Comments

  1. Adorei o texto! Não tenho nenhuma grande coisa para acrescentar, mas, dentro disso que você falou sobre produzir conteúdo, acho muito legal produzir textos para outros sites, que não o seu, que não seu perfil nas redes sociais. Eu comprei o livro do Eric Novello na Bienal só porque vi um guest post dele no Conversa Cult. Vez ou outra ele aparece na minha timeline pelo RT de alguém, mas eu não conhecia o trabalho e a carreira dele. Ou seja, eu não tinha contato com os livros dele. Daí ele deu um jeito de me alcançar dando um alô para o público de outra pessoa/site. E não foi tipo “OI, GALERA, EU ESCREVO LIVROS, COMPREM”. Não, ele produziu um conteúdo relevante para aquele público que não era dele, passou uma dádiva (como a Amanda Palmer diz) e eu fiquei animado em poder retribuir. Acho que funcionou muito bem.

  2. Acho a mesma coisa, na bienal eu conheci o Renan e a gente começou a conversar e ele me indicou vários livros, incluindo o seu, eu não ia comprar o livro dele por que estava sem dinheiro, mas ele foi tão simpático que eu resolvi comprar. Isso também influência muito na hora.
    Uma outra dica, coloca alguns capítulos disponíveis em sites como wattpad, eles mostram as histórias de acordo com os gostos dos leitores e tem um grande numero de visualizações e várias pessoas que leem acabam querendo comprar depois….

  3. Como acontece esse trabalho de visitas escolares para você apresentar seu livro?
    Você marca com a direção da escola antes? Com os professores de português/ literatura? Como é o processo?

  4. Oi Bárbara,
    Te achei no Instagram, li A Ilha dos Dissidentes (Gostei pra caramba! Já comecei A Ameaça Invisível) e resolvi dar uma passada aqui. De cara adorei este primeiro post que encontrei. Estou lançando o meu primeiro livro agora e já vejo como a movimentação do autor faz a fama da história. Vamos trocar “figurinhas”? Sou de Brasília também e minha experiência tem sido diferente. Ou será que, na verdade, estou por fora do mundo literário? hahaha
    abraços,
    Marina.

    Ah! Sábado irei na Livraria Cultura!

  5. Então, Barbara, eu tenho experimentado com twitter e facebook, já que tenho uns planos grandes pro meu blog, de transformar em site de produção de conteúdo mesmo ao longo dos meses (ano que vem virão mudanças maiores).

    Até uso as ferramentas do facebook, mas quase todas as medições likes e etc que se ganha por lá, para mim, são aquém do esperado, diferentemente do twitter, se você souber usar bem.

    Acho que a do facebook só tem grande utilidade se usada para mostrar somente pra quem já curtiu o seu site mesmo, e talvez pra amigos deles. Pq para ganhar likes, etc, já existem muitas e muitas clickfarms. Para ganho de likes, por exemplo, fizeram um teste e viram que menos de 10% eram de usuários de fato reais e ativos. Para contornar isso, talvez mostrar seus adds só pra quem curtiu coisas muito específicas, sites específicos, possa ajudar a diminuir os click farms e tal.

    Mas enfim, é bem mais ou menos o adds do facebook. Só tenho usado pra impulsionar algumas postagens, e só pra quem curtiu a página msm e amigos.

  6. Oi, Barbara
    Eu já conhecia seus livros há algum tempo pelo skoob, entrei hoje por acaso na sua página no face e acabei parando aqui! Rs
    Gostei bastante do seu post e achei interessante seu comentário sobre a necessidade de sempre estar produzindo para ser lembrado e aumentar seu público.
    Participar de eventos literários, divulgar em redes sociais, visitar escolas e impulsionar publicações no Facebook são ações que eu também tenho praticado para divulgar meu trabalho.
    Além disso, outra grande descoberta que fiz foi o Book Tour. Acho que é uma forma incrível de aumentar a divulgação nos blogs com baixo custo de exemplares. Eu já organizei 19 book tours de Golfinhos e Tubarões e 11 de O último homem do mundo. Graças a isso, meus livros tem mais de 130 resenhas cada um no skoob e, claro, estão em muitos blogs. Além disso, sorteios e promoções envolvendo “compartilhar” a capa do seu livro são uma boa forma de fazê-lo ser visto por mais pessoas. Acho que é isso! Beijos!!!

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