Diário de Escrita #26

O NaNoWriMo começa amanhã e eu planejei seis posts relacionados à ele para esse mês. Se você não sabe o que é o NaNoWriMo, eu já fiz vários posts sobre o assunto no NUPE, mas lá vai uma explicação rápida: todo ano, o sindicato de escritores norte-americanos faz de novembro o Mês nacional de escrever um livro, com o objetivo que os participantes escrevam 50 mil palavras durante o mês de novembro. Qualquer pessoa pode participar, escrevendo em qualquer idioma.

Eu participo de NaNos desde 2009, acho, e parte do primeiro rascunho de A Ilha dos Dissidentes foi escrita durante um NaNo. Mas eu nunca ganhei um Nano. Nunca fiz as 50 mil palavras durante Novembro como o proposto, mas acho que no final não é isso que importa para mim. Foi por causa do NaNo que eu aprendi como funciono para escrever, que comecei a explorar as técnicas de produtividade que uso hoje, que descobri se preciso de planejamento ou não, dentre outras coisas. Conheço várias pessoas que não funcionam no esquema do NaNo, mas elas precisaram fazer ele para descobrir. Enfim, em geral, acho uma iniciativa bem legal.

Para começar essa série de posts, quero falar sobre algo muito importante: tempo para escrever.

É tarde! É tarde!

É tarde! É tarde!

Se o seu objetivo é escrever as 50 mil palavras do NaNo em um mês, você não pode deixar de escrever um dia. Eu falo sério, porque embora 1600 palavras não sejam tanta coisa assim, se você deixa acumular, elas viram 3200, 4800 e, para muita gente, isso é palavra demais. Pessoalmente, meu cérebro pifa conforme vou me aproximando das 4000 palavras diárias, mas já consegui fazer umas 7000 (e depois deitei na cama e fiquei observando o teto, com a sensação que tinha corrido uma maratona mental). Essa é a primeira lição do NaNo: dividir o seu trabalho em partes menores e trabalhar todos os dias faz com que sua tarefa seja cumprida mais fácil.

Todas as vezes que comento sobre essa estratégia de ter uma meta diária de palavras, que é a que uso para escrever, sempre tem alguém que diz “Ah, mas como você tem tempo!?”. O problema é que você nunca tem tempo. Se você esperar ter tempo para escrever, você nunca vai escrever. É sério. Tem um milhão de coisas acontecendo todos os dias, todas elas urgentes, ou então um milhão de séries para ver, um milhão de livros para ler, um milhão de jogos, e se você for esperar se desocupar para escrever, ou ter tempo livre, não vai acontecer. A questão toda é que escrever é um trabalho. E por mais que você ame, adore as ideias que você tem, se você não sentar a sua bunda na cadeira e escrever o que quer que seja até criar esse hábito, nunca vai escrever nada.

Faça como o Caco!!

Então, se você determinou que fará o NaNo ou se deu um prazo para terminar um projeto que você quer fazer, é necessário se programar. É necessário reservar uma hora, duas horas, um momento que seja e chamar de HORA DE ESCREVER. Se for necessário, avise para quem mora com você para não te incomodar. E na HORA DE ESCREVER, a única coisa que você faz é ESCREVER. Pessoalmente, gosto muito da ideia dos sprints de escrita que o pessoal do NaNoWriMo promove, em que você só escreve por 30 minutos e depois vê quantas palavras escreveu naquele tempo (sim, é igualzinho o método Pomodoro).

Como eu já disse aqui algumas vezes, meu processo de escrita é dividido em dois períodos: o que eu monto a história mentalmente e o que eu a coloco no papel. Justamente por isso, eu não sou adepta da máxima “escreva todos os dias” – acho que se obrigar a escrever numa história que não está pronta não é produtivo e acaba sendo frustrante e quebrando o fluxo criativo. Mas isso não exclui o planejamento! Por exemplo, eu sou uma pessoa diurna e produzo muito melhor durante o dia, então eu sei que se me programar para fazer coisas que exigem muito do meu cérebro à noite, não vou conseguir. Isso quer dizer que escrevo bem menos nas noites de semana – então deixo o grosso da escrita programada para os fins de semana, quando tenho os dias disponíveis.

Ultimamente, não tenho conseguido seguir meu planejamento de horários/metas de escrita porque estou procrastinando, porém eu tenho alguns prazos que são bem próximos e preciso me reorganizar novamente. Eu já falei sobre alguns métodos de organização aqui e agora estou começando a usar o Bullet Journal, mas queria saber de VOCÊS!! Como vocês se organizam para fazer tudo o que tem que fazer?

Ah, a Aline Valek fez uma newsletter maravilhosa sobre o NaNo! Vão lá ler 🙂

PS: antes que eu esqueça, eu não vou fazer o NaNo oficialmente esse ano, mas vou trabalhar em um projeto e o primeiro capítulo da monografia, então considerem que estou com vocês em espírito.

3 Comments

  1. Também não consigo escrever todos os dias. Sei que funciona para algumas pessoas, mas para mim não. Acho que é por isso que nunca quis tentar o NaNo. rs

    Queria poder usar o Scrivener pra me organizar na escrita e centralizar tudo, mas o período de teste acabou e eu não pude comprar a licença. =P

    Ultimamente eu uso muito o Evernote pra anotações gerais, uso o gravador de voz do celular pra gravar alguma ideia, porque eu vou esquecer até achar um caderno pra escrever. Fico com o enredo todinho na cabeça, maturando, ganhando forma e quando sinto que aquilo é como uma represa que vai arrebentar, eu finalmente sento e escrevo.

    Acho que as pessoas precisam é tentar e encontrar o que melhor funciona. Regras estanques não ajudam ninguém.

  2. Eu sou péssimo da organização. Acho que estou usando esse NaNoWriMo — o primeiro que planejo participar com vigor, já que falhei miseravelmente no CampNaNoWriMo que tentei participar — para tentar me organizar e me sentir obrigado a escrever. Nem sempre isso é o melhor para todo mundo, mas descobri nos últimos tempos com a faculdade que, desde que haja um pazo e uma força maior sobre mim, eu consigo escrever artigos, roteiros e todo tipo de trabalho com eficiência e rapidez. Tudo bem que acabo procrastinando muito e fica para o final do prazo, porém em meio ao sofrimento do “por que não fiz antes”, “agora não posso mais desistir” eu produzo, finalmente.
    Quando não há o prazo ou a cobrança, como é o caso da escrita de um romance, eu fico eternamente pensando nos detalhes, matutando sobre como cairá o orvalho na relva da rua em que o personagem passará ou qual a melhor fonte, tabulação, posição do notebook etc e não escrevo nada. Pro NaNoWriMo eu tentei antecipar minha história moderadamente — porque na vez que tentei o Camp escolhi uma história que não estava planejada, que nem era algo que estava me motivando à época, e falhei —, buscando deixá-la clara o suficiente para mim a ponto de saber aonde tenho de chegar, eventualmente, no final.
    Espero que, no final das contas, eu aprenda alguma coisa mesmo se não tiver sucesso na meta (na verdade, minha meta pessoal são 25 k palavras neste mês). Enquanto isso tô tentando esse métodos de produtividade que vi justamente você comentar.
    Fico aguardando as suas postagens porque sou um grande fã de posts sobre escrita e pep talk de NaNoWriMo. Que são, infelizmente, coisas que leito enquanto procrastino em vez de escrever efetivamente.

  3. OOOIIIII Barba!!!! Esse comentário não muita a ver com sua postagem, mas precisava arranjar um jeito de deixar recado pra você. Conheci sua trilogia ontem, estava procurando indicações quando percebi que suas publicações estavam em várias listas dos amantes de trilogias. Peguei o 1º livro 00:40, comecei a ler 01:00 da manhã e terminei às 6:00 em ponto. Simplesmente não consegui parar!!!!!!! Amei cada um dos personagens, a história, cenários, diálogos, personalidades, descrições, contexto, enfim, TUDO. Só pecou em uma coisa… poucas páginas kkkk quando vi que tinha menos de 200 pensei: Nossa, vai passar rápido demais, e realmente passou, devorei. Parabéns Bárbara, eu também amo escrever e um dia quero escrever um livro com uma história fantástica como a sua, você me inspirou muito!!!

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