Diário de Escrita #4

Dizem que se você encarar muito uma palavra ela para de perder o significado. Companhia, por exemplo. Não é uma palavra esquisita? Companhia. Companhia. Companhia. Depois da quarta vez, começa a soar como “campanhia”, “compania”, “cãpãina” e as variações mais esdruxulas.

O QUE SÃO PALAVRAS

O QUE SÃO PALAVRAS

É nesse estágio que eu estou. Sabe, a maior parte dos escritores concorda comigo (pelo menos dos que eu conversei e dos que eu li dicas de escrita) que mais ou menos na metade do livro você começa a achar tudo ruim, esquecer palavras, achar que está ficando louco, que é tudo ruim e que foi uma péssima ideia começar. É nessa parte do livro que todas as inseguranças estão à flor da pele, porque você está a tanto tempo com aquele material que não tem mais perspectiva. Escrever uma palavra depois da outra vem por inércia, porque você sabe, de experiências anteriores, que aquilo é uma fase e vai passar se você insistir. (O problema é que na primeira vez que você escreve um livro, você não sabe disso. Você só tem posts de pessoas como eu dizendo que é uma fase e vai passar e precisa acreditar na gente e continuar.)

Ao mesmo tempo, esse é o estágio em que escrever é mais prazeroso. Você consegue ver a linha de chegada e embora suas pernas estejam cansadas, você esteja com sede e duvidando de tudo e de todos, está quase lá. Sabe, é melhor correr e chegar logo do que desistir. A história está no melhor momento e  cenas fluem rapidamente pelos dedos, se desenhando nas páginas com uma velocidade extraordinária. É o clímax, é quando todas as pecinhas que você foi jogando ao longo da primeira parte se juntam para formar uma imagem.

Isso é ainda mais verdadeiro no terceiro livro de uma trilogia: não são as pecinhas desse livro que estão se juntando, são as peças de todos os livros. Coisas que desde a primeira frase de AIDD (“O tempo se arrasta quando se espera.“) foram inseridas, aos poucos, para alicerçar a história. É o teto da casa que venho construindo desde 2011. Meu deus, tem quatro anos! Achei um post fofo de quando comecei a escrever o livro, olha¹. Pobre Bárbara achando que escrevia demais, sendo que AIDD é o menor livro da trilogia.

ISSO YEAH AGORA TEM UM DRAGÃO ZUMBI LUTANDO CONTRA VOCÊS YEAAAH UM GIGANTE E UM BASILISCO TAMBÉM

ISSO YEAH AGORA TEM UM DRAGÃO ZUMBI LUTANDO CONTRA VOCÊS YEAAAH UM GIGANTE E UM BASILISCO TAMBÉM

Uau, agora bateu um momento de nostalgia louco. Se alguém dissesse pra Bárbara de 2011 que hoje ela estaria terminando a história que começou naquele outubro, que ela seria publicada e que faria textos falando da sua experiência e pessoas iriam lê-lo, ela diria que a pessoa estava demente. Como eu tinha 71 páginas no word com pouco menos de 40 mil palavras quando eu tenho 70 mil hoje e nem cheguei em 100?? QUEM É ESSA PESSOA? COMO ELA ESCREVIA??? MAL TE RECONHEÇO, BABY BARBARA.

Enfim, essa semana foi beeem produtiva, tô até espantada. E minha mão não caiu!!! VITÓRIA DO POVO DE BARBARALANDIA. Teve um dia em que eu fiz mais de cinco mil palavras, mas a minha média foi em torno de 3500 palavras na semana. Tive só uma crise de “esse livro não é como as pessoas estão esperando” que durou aproximadamente 45 minutos, mas depois ignorei isso e continuei escrevendo. Apesar disso, meu atraso da semana passada ainda tá cobrando o seu preço, então duvido que consiga terminar até o dia 03/03, como eu havia me proposto . Pelo menos me dei outra deadline que é dia 09/03 e, pelos meus planos, devo terminar dia 07. Falta um pouco de história pela frente, mas as coisas estão fluindo bem e se encaminhando para um bom final.

Além disso, eu já tenho 3 páginas de epílogo. Cool, cool, cool.

Continue eficiente, Bárbara.

tumblr_inline_nk7gpdm3OT1qjz9xc

¹Foi quando comecei a usar metas, olha que bonitinha. Faço isso até hoje, mas em vez de usar o bloco de notas, uso um caderno de verdade. A gente fica velha e aversa a tecnologia, arg.

PS: Ah, eu dei uma entrevista para a Karlinha, vocês podem ver lá no canal dela! Tá bem divertida, haah.

1 Comment

  1. Eu nunca cheguei no meio de um livro, mas eu acho que deve ser difícil. Na verdade, durante o processo de escrita, dá muita vontade de jogar tudo pro alto. Acho que uma das grandes graças de ter uma história passado pro papel, é o sentimento de triunfo de ter conseguido terminar algo. Gosto muito dum texto da Sarah Dessen que vi no NUPE, onde ela fala sobre o processo de escrita, pontuando bem que não teria a menor graça conseguir terminar seu livro sem ter que lidar com obstáculos.

Leave a Reply

Your email address will not be published.

*


Warning: fsockopen() [function.fsockopen]: php_network_getaddresses: getaddrinfo failed: Name or service not known in /home/barba425/public_html/wp-content/plugins/sweetcaptcha-revolutionary-free-captcha-service/library/sweetcaptcha.php on line 81

Warning: fsockopen() [function.fsockopen]: unable to connect to www.sweetcaptcha.com:80 (php_network_getaddresses: getaddrinfo failed: Name or service not known) in /home/barba425/public_html/wp-content/plugins/sweetcaptcha-revolutionary-free-captcha-service/library/sweetcaptcha.php on line 81

© 2017

Theme by Anders NorenUp ↑