Diário de Escrita #9

Palavras escritas em Starships essa semana: 656

Tem autores que consideram começar fácil, é um novo mundo! Uma nova história! Novas aventuras!

Eu não sou dessa categoria. Começar é até fácil, mas achar o começo certo para a história é um pequeno milagre. De Starships, eu tenho mais de 40 mil palavras de inícios diferentes que descartei. Alguns não passam de um parágrafo, outros são mais de 10 mil palavras, com vários capítulos, que não funcionaram por algum motivo, seja porque vi que algum personagem precisava sair da história, seja porque me vi numa sinuca de bico sem saber para onde continuar dali. Eu tenho um diálogo imenso entre uma das iterações do David e uma das iterações da Diana que nunca vou usar.

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Alguns dos meus arquivos de Starships até o momento. Estou trabalhando no Starships4 agora.

Pode ser frustrante. No início eu ficava irada e não entendia porque não conseguia prosseguir direito ou não conseguia terminar nenhuma história, mas conforme fui escrevendo, compreendi como eu funcionava e percebi que aqueles vários começos, as várias tentativas que eu tinha que fazer eram importantes para eu conhecer melhor a história. Acertar o tom, como gosto de dizer, não é nada além de ter domínio dos personagens e saber em que ponto da história é melhor iniciar para que a narrativa tenha um bom ritmo.

Existem dois tipos de começos que são usualmente utilizados:

1) Ab ovo ou ab initio (desde o início): nesse caso, a história começa do início., da criação. Por exemplo, um livro que acompanha um protagonista desde o nascimento é um livro que começa ab ovo. Vários livros de fantasia começam assim, às vezes da gênese do mundo até o ponto em que a história acontece. Alguns prólogos servem como ferramenta para começar ab initio, introduzindo algum fator anterior à história que é relevante para o entendimento dela como um todo.

2) In medias res (no meio das coisas):  Essa é minha favorita, quando você começa no meio da ação, no meio das coisas. Por exemplo, você começa com a mocinha encontrando o mocinho e daí continua, algumas vezes utilizando flashbacks para contar da vida pregressa dos protagonistas. Ou então começa com o detetive encontrando o corpo e daí parte a sua história. Ou você começa com a Guerra de Troia em toda a sua glória, em vez de explanar como ela começou.

ESTOU CAINDO NA NARRATIVAAA (sei lá, só queria usar esse gif e inventei uma legenda. ME PROCESSEM)

Eu sempre prefiro in medias res, mesmo que de forma suave. Anômalos começa no meio da tragédia da Sybil: o navio em que ela está naufragou e ela sobreviveu, mas não vemos isso. Ela já está segura, sendo examinada como um ratinho de laboratório quando o livro começa e a história parte daí. Isso não quer dizer que não tenha tentado contar a história do início, deve ter alguma versão aqui no meu HD que começa com a vida pregressa dela em Kali. Também tem uma versão em que ela demora bem mais para conhecer sua família adotiva, mas por questões de ritmo, escolhi cortar.

Com Starships, existem dilemas diversos. Onde é o melhor ponto para começar? Como o mistério da história está intrinsecamente correlacionado com o desenvolvimento de personagens, não posso usaro fato “gerador” como início. Mas me demorar demais nos aspectos de dinâmica grupal também só funciona se o leitor se apegar os personagens, do contrário, é terrível. Eu preciso achar um início que balanceie os dois, que dê ao leitor a dica do que vai acontecer sem revelar demais e só consigo encontrar esse equilíbrio testando. As 656 palavras que escrevi são de mais uma tentativa, uma que me parece certa, mas que só descobrirei quando continuar. Mesmo assim, desde que as escrevi já percebi que algumas mudanças na história são necessárias e vou precisar voltar apagar um personagem (RIP Mateus, você sempre estará em nossos corações).

Outro empecilho que tenho tido é, ugh, a vida. Já me perguntaram como eu faço para conciliar a faculdade e escrever e minha resposta atual é: eu não concilio. Ainda não me acostumei ao ritmo das aulas e quando chego em casa, só quero deitar na cama e olhar para o teto (ou ler um livro ou ver anime). Eu vou ter que me acostumar de qualquer jeito, porque semana que vem provavelmente vou começar a revisar Anômalos 3 e vou ter muita coisa para reescrever. Pelo menos tem feriado semana que vem, né? NÉ?

EU TENTANDO CONCILIAR TUDO

No fim, acho que é bem provável que os próximos posts sejam sobre revisão! Por isso, pergunto a vocês: o que vocês querem saber sobre revisão? Quais as dúvidas? Quais dificuldades vocês tem? Vou tentar dar uma pincelada geral no meu processo, mas tenho certeza que tem algo que sempre quiseram saber mas nunca tiveram coragem de perguntar. É ESSA A HORA!! Essa é a parte mais importante do processo de escrita, o momento de REVER SEUS ERROS E SE PERGUNTAR O QUE É QUE VOCÊ TINHA NA CABEÇA QUANDO ESCREVEU AQUILO.

Enfim! Até sexta que vem♥ Me desejem sorte.

8 Comments

  1. Team In Medias Res! Acho que durmo com um início Ab Ovo. Fico sentindo que estão me passando um bando de informação que não estou interessado em receber ainda. Eu prefiro conhecer o mundo antes de saber como ele foi formado.

    O que eu mais queria saber, eu já te perguntei no Twitter, que foi o quanto seus livros aumentam ou diminuem após a revisão. Mas tenho outra pergunta: Lendo Anômalos, eu percebi o cuidado que você teve com representatividade, criando personagens de várias etnias. Já aconteceu de você terminar a história, na hora de revisar perceber que estava pouco diversificado e mudar um personagem por conta disso? Tipo “Nossa, só tem gente branca, então fulana, ciclano e beltrano serão negros”. Você acha isso válido?

    • barbaram

      May 5, 2015 at 21:15

      Vamos lá, respondendo com um monte de tempo de atraso, mas enfim… ahahah
      Como eu te disse, em geral eles aumentam. Sobre a representatividade, ainda não aconteceu isso não, ahahah. Acho que em anômalos especificamente é bem mais difícil porque eles vivem num lugar que é muito miscigenado e multiétnico, então tem todo tipo de gente aparecendo o tempo inteiro, sabe? Mas em outros projetos, principalmente quando eu tava começando e imitando muito o que eu lia, praticamente todas as pessoas eram brancas com os olhos azuis e os cabelos pretos/ruivos.
      E, sim, eu acho válido você ver os seus personagens como um todo e mudar alguns para diversificar mais. Fica mais próximo da realidade, né!
      Mas daí, também tem que ter discernimento. Se você escreve uma história sobre gente rica no Brasil colônia, é óbvio que seus personagens serão brancos, em geral. Mas mesmo assim, a escravidão era algo muito presente na vida das pessoas ricas nesse período, logo é bastante desonesto apagar de forma completa os negros da sua história. Enfim!! Muito pano pra manga, ahahah

  2. Nunca cheguei na parte de revisão pra ter dúvidas concretas, porque a verdade é que escrevo já querendo que saia tudo certinho… Um grande problema meu é que escrevo e rescrevo diversas vezes a mesma coisa, querendo que já saia tudo perfeito e encaixado… Até que desisto porque nunca fica como eu quero! ARGH
    Estou trabalhando nisso, de tentar escrever sem reler e mexer em tudo, mas é tãaao difícil… Fico pensando se um dia eu chegar na parte de revisar um texto pronto, provavelmente vou querer mudar tudo hahaha Como lidar com isso?

    Beijos!
    Esses seus diários estão sendo de uma ajuda enorme pra saber que não estou sozinha na minha dificuldade de começar histórias hahaha <3

    • barbaram

      May 5, 2015 at 21:17

      Então, eu tive que aprender a me livrar disso e só arrumar na revisão. Eu sou uma pessoa que odeia retrabalho, mas aprendi que escrever é, na essência, retrabalho. Então aprendi a lidar com isso >.< E você tem fases na revisão. Tem a fase em que vc odeia tudo e quer jogar fora e se pergunta porque faz isso, tem a fase em que você vê salvação no texto, tem a fase que você fica impressionado com o que vc escreveu. Você vai lidando, mudando o que precisa ser mudado, e tal hahaah

  3. COMO ASSIM 40 MIL PALAVRAS??? TEACH ME, OH MASTER!

    • Jully Guedes

      May 5, 2015 at 20:03

      Aquele momento que me sinto uma boba e meia por estar felizinha com minhas pobres 10.000 palavras

      • barbaram

        May 5, 2015 at 21:19

        Jully, é extremamente injusto você querer se comparar com alguém que escreve e publica, sabe. Seja mais gentil com você mesma! Eu trabalho com o texto de starships desde 2012 e juntei diversos inícios e tentativas de personagens ao longo desse tempo para poder formar a história que estou escrevendo hoje. É um processo meio frustrante, mas você tem que focar no que você tá fazendo e continuar firme e forte, se é o que você quer fazer! 🙂

    • barbaram

      May 5, 2015 at 21:17

      Eu trabalho com essa história desde 2012, ahahahaha. E já tentei começar ela diversas vezes, aí os inícios foram se acumulando

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