Diário de escrita RELOADED #2

Uma das coisas que aprendi ao longo dos anos é que funciono melhor determinando metas de escrita semanais, num esquema meio nanowrimo fora de época. Para isso funcionar, preciso sentar e fazer um cronograma, determinando quantas palavras mais ou menos o manuscrito precisa ter e dividindo pela quantidade de dias que tenho até o fim do meu prazo para saber qual o ritmo de trabalho preciso adotar.

Metas precisam ser realistas. Você precisa levar em consideração que nem todo dia vai conseguir produzir todas as palavras que determinou, porque as cenas vão empacar. Da mesma forma, em alguns dias, você vai produzir bem mais porque a escrita vai fluir bem. Você precisa de tempo para descansar os neurônios e reagrupar seus pensamentos para entender a sua história. Também tem outro fator, né: o desespero. Quanto mais perto do fim do prazo, maior a sua meta diária porque MEU DEUS DO CÉU O PRAZO VAI ESTOURAR.

Surta

Geralmente, prefiro trabalhar com metas semanais por causa dessa inconstância na escrita. Eu li um livrinho chamado FROM 2K TO 10K IN A DAY, ou algo assim, em que a autora falava sobre como passou a escrever 10 mil palavras por dia e embora eu ache insano escrever 10 mil palavras por dia, alguns mecanismos que ela ensinou me ajudaram a tornar a escrita do livro menos sofrida.

Primeiro, eu nunca sento para escrever sem antes fazer um pequeno brainstorming e uma lista das próximas cenas que preciso escrever. Nem sempre escrevo exatamente elas ou todas elas naquele dia, mas pelo menos me guiam e fazem com que eu organize meus pensamentos e não fique encarando a tela do computador em desespero me sentindo uma merda por não saber o que escrever. Depois, eu uso o método pomodoro. Já falei dele aqui antes, mas quando você já pensou no que vai escrever e tem 30 minutos de atenção total, a escrita flui que é uma beleza.

Eu preciso de todas essas ferramentas porque não sou a pessoa mais disciplinada da terra, sabe. Começo muita coisa que não termino, fico empolgada com as coisas por pouco tempo, etc. E ter alguma forma de controle e que me “cobre” faz com que eu produza e termine de fazer as coisas. Funciona muito bem para mim.

Falando assim, parece que é simples: DETERMINO UM CRONOGRAMA! CUMPRO O CRONOGRAMA! MANUSCRITO PRONTO! COLOCA NA MÁQUINA E COMEÇA NOVAMENTE!

Mas não é bem assim.

Para o projeto que trabalho agora, minha agente literária me deu um novo prazo para eu terminar meu manuscrito, pela terceira vez. Claro que eu consigo!, exclamei para ela, toda animada. Peguei meu novo planner e abri na parte do calendário. No passado, ainda estava na faculdade e usava esse período de férias para escrever. Mesmo no estágio, eu ainda tinha tempo de manhã para avançar a história antes de ir para a labuta — e pensei que, talvez, esse ano, fosse funcionar da mesma maneira e fiz um cronograma bem parecido com o de quando escrevi ARU.

Eu sou meio nova nesse lance de trabalhar 8 horas por dia num trabalho com muita responsabilidade que suga bastante energia do ser humano, sabe. Não ajuda muito eu ser uma pessoa extremamente diurna, que quase não produz à noite e que é introvertida e fica cansada de estar rodeada de muitas pessoas. Então uma meta que, em outro contexto era completamente possível, se tornou um pequeno Everest diário a ser escalado diariamente. O cansaço não é nem físico, é mental. Eu fico o dia inteiro no computador e quando chego em casa, por mais que esteja empolgada e saiba para onde a história vai, só quero sentar no sofá e ver Raising Hope. Eu preciso me readaptar a essa nova rotina e esperei, em um anseio juvenil, que isso acontecesse do dia para a noite, só porque eu decidi que seria assim.

E eu fico me sentindo culpada por não escrever. Parece que não estou me esforçando o suficiente, que não é possível, outras pessoas conseguem, eu também deveria conseguir! Eu tento ser mais gentil comigo mesma, mas é um esforço constante. O Daniel José Older fez um texto que gosto muito, Writing Begins with Forgiveness, em que ele fala sobre como aquele velho conselho de “Escreva todos os dias’ está errado justamente porque as pessoas trabalham, e ficam cansadas, e que a gente precisa se perdoar por isso, mas é difícil pra caramba.

Agora comecei a testar outras estratégias: acordar mais cedo para escrever e escrever na hora do almoço. Os primeiros dias foram falhas críticas, MAS estou confiante que um dos dois deva funcionar, pelo amor de deus. NÃO POSSO ESTOURAR MAIS UM PRAZO!!!!!!!!!!!

Me desejem sorte!

E vocês? Como se organizam? Vocês se organizam? Conseguem cumprir os prazos???

Cês já viram que sou péssima com isso, né.

 

1 Comment

  1. Oi, Bárbara! Não sei se é meio estranho eu comentar assim do nada num post que já faz tempo que foi publicado, mas você já tentou em vez de escrever depois de chegar em casa do trabalho, escrever antes de sair de casa pro trabalho? É claro que isso significa que você tem muito menos tempo para interagir com família, amigos etc, já que você tem que dormir mais cedo para conseguir acordar mais cedo, mas é um método que funciona pra mim, aí quis compartilhar. 🙂

    Não sei que horas você sai para trabalhar, mas supondo que você saia de casa 6h30, por exemplo, se você acordar 5h tem 30min para se arrumar e tomar café e 1h para escrever. Obviamente você sabe fazer matemática básica, mas achei que se desse um exemplo meu ponto ficaria mais convincente. Hahahaha. Enfim, boa sorte com a sua rotina!

    Continuo acompanhando seus diários de escrita!

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