Tudo depende de como você vê as coisas

Outro dia eu estava fazendo sprints de escrita com o Diego,  que tá escrevendo uma história sobre ESCOLAS DE ELITE! ESPORTES! GAYS! GAYS DO BASQUETE!!!, e nós dois estávamos em uma situação parecida: estávamos retrabalhando uma cena que não estava ruim, mas também não estava boa.

MAS BÁRBARA VOCÊ NÃO DIZ SEMPRE QUE ESCREVE TUDO E SÓ REVISA DEPOIS???????

Ora ora

Então, como regra geral, sim. Mas às vezes a cena em que estou trabalhando parece errada, sabe? Ela até se conecta com o que veio antes, mas o que vem depois fica nebuloso e você perde vontade de escrever ou não sabe como resolver aquele problema a seguir e fica desanimado. Eu chamo isso carinhosamente de “pegar o caminho errado”. Como sei onde a história começa e onde ela termina e alguns “pontos turísticos” que tenho que visitar no meio, se erro um retorno no caminho, já não consigo chegar no meu destino. Então, por isso, às vezes é necessário cortar, adicionar e moldar novamente alguma cena durante a escrita, para deixar ela no prumo certo.

No meu caso, uma personagem fazia algo que ela NUNCA faria e isso afetava todo o desenvolvimento da história à longo prazo. Era uma cena que tinha dois objetivos e eu só consegui fazer um. Com o que fiz ontem, ela preencheu os seus pré-requisitos. No caso do Diego, era só trocar o personagem que fazia a ação chave e, TCHARAN, o negócio caminhou (ou pelo menos foi o que ele me disse)(Diego, se manifeste).

Lá pelas tantas, o Diego me perguntou em quantas palavras estava no manuscrito e eu respondi “Só 47 mil”.

E ele disse “MUITO BEM!!!!”.

Quê?

E eu disse “Parabéns pelo quê? Eu tinha 42 mil em abril.”

“Mas 5 mil palavras são muita coisa!!! Me deixa ser positivo.”

Aí fui dormir pensando nisso. Nos últimos meses, tenho escrito muito pouco por vários motivos, mas 99 deles são falta de ânimo e de vontade. Não vou entrar nesse mérito, mas a Gui, minha agente literária, chegou a me perguntar se eu queria engavetar o livro e começar a trabalhar em outro, mas o problema não é a história. Eu amo essa história e esses personagens e embora eu saiba que na revisão o livro vai ficar bem melhor, estou gostando de como ele está andando. Eu tive muitas inseguranças nesse período (talvez eu detalhe elas depois aqui, talvez não), estou passando por uma crise de vida, etc. E uma das coisas que estava me deixando mais chateada é que esse não é o ritmo em que escrevo histórias, sabe? Não é assim que eu funciono normalmente.

É um ciclo vicioso, sabe: você fica chateado porque não está escrevendo como gostaria, aí você não escreve porque sabe que não vai escrever o quanto gostaria e fica abaixo do que você queria porque deixa de fazer por achar que vai ficar abaixo da meta. A MAIOR MENTIRA É QUE NOSSO CÉREBRO É RACIONAL.

Enfim, até ontem, eu nunca tinha parado para ver por esse lado: cinco mil palavras são muita coisa. Pode ser num período maior do que o que eu queria, mas tem muita história aí. Não avancei como eu queria, mas pelo menos eu avancei, né? Isso é algum tipo de vitória.

Vivo dizendo que escrever é autodescoberta, que o melhor método de escrita é o que melhor de adequa para você, mas nunca parei para pensar que a gente muda, e, óbvio, com ele mudam nossos hábitos e isso se reflete em como você escreve. O contexto no qual escrevi a trilogia anômalos é completamente diferente do meu atual e é óbvio que isso vai se refletir na minha “metodologia” de escrita! Como eu nunca tinha parado para pensar nisso antes?

Eu sempre falo muito do NaNoWriMo aqui, sobre como ele me ajudou a descobrir várias coisas sobre mim e sobre como escrevo, sobre como ele ajuda autores iniciantes e tudo o mais, mas agora chegou a hora de eu olhar o outro lado: talvez ele não ajude tanto assim a longo prazo. Essa estratégia de ter metas diárias de escrita, de sentar todos os dias para escrever, pode criar um estresse e uma pressão além do necessário.No meu caso, eu já tenho diversos estímulos que me pressionam e incentivam a escrever, e talvez essa pressão de metas de palavras seja algo que acabe sendo contraprodutivo, sabe? Talvez seja melhor ter uma meta de “eu vou escrever um pouquinho sempre que der”, devagar e sempre, até chegar no fim.

Veremos.


Disclaimer

Não vou prometer que estamos de volta, mas uma das minhas metas pequenininhas é começar escrevendo mais aqui. Talvez eu devesse usar minha newsletter, falecida, mas eu gosto muito da plataforma de blog, amo o wordpress e irei protegê-lo. Eu sei que pouca gente lê blog hoje em dia, mas tenho certeza que tem gente como eu aí que sente falta disso e como minha lei número um é FAÇA O QUE VC GOSTARIA DE VER/LER, vou continuar aqui.

Além dessa atualização aqui, atualizei o site com uma página de serviços, um calendário de eventos e os essays que publiquei em inglês. Aos poucos estou atualizando as outras partes do site também, fiquem de olho!

5 Comments

  1. OMG EU CONCORDO 200% COM TODO ESSE TEXTO!

    Uma das coisas que me fez desistir de tentar o NaNo é justamente não lidar bem a ideia de metas de escrita tão estritas. Eu até consegui ganhar o NaNo uma vez, mas eu tava me sentindo tão mal no final, tão exaurido de forças, que eu simplesmente não queria escrever nem lista de mercado mais. E escrita não é isso, pelo menos para mim. Hoje eu trabalho mais com a ideia de metas semanais, para ter a liberdade de não escrever em algum dia e também ter o animo de continuar escrevendo mesmo quando bati o objetivo do dia. E minhas metas são BEM brandas por motivos de trabalho + faculdade.

    Quanto a cena, eu ainda estou aprendendo a lidar com isso. Mas eu literalmente passei uma semana inteira enrolando pra escrever, sendo que eu QUERO escrever esse livro. Era um sinal obvio de que alguma coisa estava errada. Assim que me desapeguei do que tinha escrito e recomecei o capitulo demorou exatamente DUAS LINHAS pra eu perceber o que eu estava fazendo errado e a cena deslanchou. Recuperei as palavras que eu tive de descartar em pouco mais de duas horas, foi mágico.

    Fico feliz que nossos sprints estejam sendo tão bons pra você quanto tem sido para mim, Bells <3 Nossos papos ( e seus diários de escrita, pfv continue a nadar!) sempre me ajudam muito. No fim do dia é isso, tamos aí desbravando as palavras e fazendo uns sprints até dar certo, hahahaha

    • barbaram

      August 2, 2017 at 17:47

      VAMOS CONTINUAR A NADAR (JUNTOS)!!!!
      A gente tem que aprender a identificar porquê a gente não tá conseguindo escrever, né. É parte do processo. E um dos meus indícios é justamente isso: estar empolgado com a história, mas não querer escrever. VAMOS ENCONTRAR NOSSOS CAMINHOS
      *imagem da MOana*

  2. Esse texto salvou o meu dia! Estou meio que sem saber o que fazer. Comecei um novo livro, mas sei que preciso voltar e trabalhar mais em outro que “finalizei”, mas tenho essa sensação de que no meio fiz uma curva errada e o final que tinha desde o início ficou corrido e superficial. Mas, nesse rolê todo não estou com aquela vontade de revisitar meu universo, quero escrever sobre o novo e meio que me permiti isso. Vou nessa de devagar e sempre e sei que em algum momento vou me sentir a vontade para voltar ao livro 1.
    Enfim, fiquei confusa com meu próprio comentário, mas obrigada pelo texto! Mesmo! Melhorou meu dia 100% <3

    • barbaram

      August 2, 2017 at 17:45

      Eu entendi exatamente o sentimento, AHAHAH. Eu também acho que meu texto acabou ficando confuso para quem não tá numa situação assim, mas quem está lê e se identifica na hora, né? É muito ruim essa sensação de < > quando se trata de textos literários e acho que isso só faz com que o resultado não seja o melhor que você pode fazer, sei lá. É estranho.
      Fico feliz que tenha te ajudado♥♥

  3. muito bom. engraçado é que eu tava escrevendo sobre algo parecido em algum lugar. participei de 500 nanos nos últimos anos, mas cheguei num ponto de que a minha relação com a escrita mudou e participar não é mais tão produtivo. e a última história que eu terminei, teve uma parte que tava tão difícil sentar pra escrever que eu fiz tipo: ok, vou sentar aqui por 20 min e é isso. já é o bastante por hoje.

    às vezes no vai e vem das escritas e edições eu fico angustiada porque será que eu tô fazendo o bastante? e se eu tiver enrolando? é tão fácil piscar os olhos e passou 50 meses e nada aconteceu. e como é que você equilibra isso com outras coisas da vida? mas aí eu acho que tu não pode criar uma medida exata porque história não é assim. é 838383 habilidades diferentes e acho que é importante aprender a se desmanchar e refazer. então como você sabe que você tá indo em frente?

    minha resposta no momento é: eu tô fazendo o melhor que posso? e o melhor no caso é: o meu melhor? seja ele 20 minutos por dia, 10 palavras no fim de semana, tendo uma semana de folga em uma jornada intergalática acompanhada de elfos? se sim, então tá ok. (não tá OK, eu preciso ter essa conversa sozinha 837373 vezes pra ajustar o curso, mas beleza)

    não sei nem mais o que eu tô falando. post muito bom 10/10 recomendaria

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